Santa Mônica: suas virtudes falavam de Deus

Escrito Por Antonio Marcos na sábado, agosto 27, 2011 Sem Comentários

“Deu-me a vida temporal segundo a carne e, pelo coração, fez-me nascer para a vida eterna” (Confissões, L.IX,8,17). Estas palavras de Agostinho à sua querida mãe, Mônica, constituem uma belíssima confissão. A Igreja celebra neste dia, 27 de agosto, a feliz memória desta grande mulher de fé que teve fundamental importância no processo de conversão do filho. O que se veio a conhecer sobre ela foi o próprio Agostinho quem registrou nas suas Confissões, por sua vez, um testemunho de vida cristã que ajudou a Igreja a constatar que, de fato, Mônica fora uma mulher de Deus, uma filha da Igreja, uma esposa e mãe de virtudes admiráveis. Virtudes essas que cresceram num contexto de dolorosas contrariedades e sofrimentos, mas que não sucumbiram e se tornaram o meio pelo qual Mônica falava de Deus, vindo a ter o respeito, o amor e a admiração do esposo, não obstante ter ele um temperamento agressivo (cf. L.IX,9,19).
Saber lhe dar com o esposo e se dedicar na educação dos filhos, principalmente quando os via tomando caminhos obscuros, longe de Deus, era uma missão para a qual Mônica não media esforços. O filho Agostinho, homem de impressionante habilidade intelectual, foi aquele que mais lhe trouxe sofrimento. Suas irrequietas procuras por um sentido de vida, que também satisfizesse sua razão, eram ainda mais conflitantes por causa do desregramento das virtudes e das paixões que o arrastavam pelo mundo. Mônica se via impotente nas forças humanas, mas acreditava que a oração de intercessão era a sua força. A amizade com Jesus Cristo era visível em sua vida como batizada e católica. Suas lágrimas nasceram da luta interior de uma mãe que sabe que um filho nas trevas do pecado é a sua maior dor. Mulher de personalidade como esposa e como mãe, compreendia que exercia um papel indispensável na família. Não ficou pelos cantos da parede reclamando de Deus uma família perfeita, um marido exemplar, um filho santo, mas se pôs a caminho porque a fé não lhe era amuleto. A coragem de dialogar e corrigir o esposo na caridade, a incansável luta para que o filho encontrasse a verdadeira luz, sem temer ou ter vergonha das lágrimas, tudo isso veio da oração. Quando procurou em lágrimas o bispo Ambrósio para ser orientada, ouviu dele a seguinte afirmação: “Vá e viva em paz, pois é impossível que se possa perder um filho de tantas lágrimas!” (Confissões, L. III, 12,21).
Teve ainda a graça de, nos últimos anos de vida do marido, conquistá-lo para Deus. Depois que se convertera nunca ouviu uma só palavra de Mônica acerca do seu passado. Deus foi além, ouvindo suas orações e lágrimas e atraiu o coração de Agostinho. Depois de mais de 20 anos de intercessão, Mônica teve a indescritível felicidade de ver a conversão do filho. Depois deste acontecimento Mônica chegou um dia a dizer a Agostinho: “Meu filho, nada mais me atrai nesta vida (...). Por um só motivo eu desejava prolongar a vida nesta terra: ver-te católico antes de morrer. Deus me satisfez amplamente, porque te vejo desprezar a felicidade terrena para servi-lo” (L. IX, 10,25).
Mônica entrou na história como a esposa e mãe cristã de fé exemplar, um modelo que deve ser seguido, sobretudo em nossos dias. Não buscava reconhecimentos, mas a felicidade, a salvação da família. Assim fez um único pedido ao filho depois de sua conversão: “Lembre-se de mim no altar”. Já Agostinho carregou consigo a eterna gratidão a Deus por sua mãe. Deixou-nos registrado esta oração por ela: “Senhor, minha mãe viveu a misericórdia, por isso, perdoa-lhe também as suas faltas, eu Te suplico” (L.IX, 13,35). Mulher que não parou nas suas fraquezas, mas foi além pela fé e pela oração. Santa Mônica, rogai por nós!
Antonio Marcos