2011-08-14

Papai, quebrei o jarro!

Dentro da universalidade da fé cristã está uma das mais fascinantes revelações feita por Jesus: Deus é Pai, a quem chamou de Abba! Paizinho! (cf. Mc 14,36). Ele é Pai de Jesus – que também é da mesma substância, é Deus -, o Verbo que se encarnou no seio da Virgem Maria, é também nosso Pai. A doutrina católica no seu credo confessa a fé no “Deus Uno e Trino”, ou seja, um só Deus que se dá a conhecer em Três Pessoas distintas nas relações, mas reais, que possuem uma mesma essência e natureza, a mesma divindade, a Santíssima Trindade, o mistério central da fé cristã, um dos mais sublimes de nossa fé (cf. Catecismo 232-256). Somente um dia, quando não mais precisarmos de mediações, poderemos contemplar face a face este Mistério de Amor.

A paternidade de Deus é amor que cuida e corrige, é amizade, é presença, é vocação à eternidade. A paternidade divina é a fonte da paternidade humana, nela deve ser refletida, como diz a Igreja: “Os pais foram revestidos da autoridade divina diante dos filhos” (CIC, 2197), sabendo que não podem desonrar os filhos, mas amá-los e assisti-los em suas necessidades por ocasião do tempo da dependência familiar. Por isso a paternidade humana é um grande sinal da misericórdia e consolo da paternidade de Deus. Recordamos o que a própria Teresinha de Jesus relata em seus escritos: ao quebrar o jarro e não mais querendo se esconder por medo das reações de seu pai, simplesmente o espera chegar e quando adentra pela porta, Teresinha corre em sua direção, pula em seus braços e lhe diz com um beijo: “Papai, quebrei o jarro!” Com este gesto já se vê conquistado pela filha que assim a beija e diz: “Tudo bem, filhinha, papai a perdoa!”. De certa forma, foi isto que aconteceu conosco em Jesus. O vaso que se quebrou foi Ele mesmo, o próprio Jesus quando fora pregado na cruz e morto, mas quem o quebrou foram os nossos pecados. Mas fomos alcançados pela misericórdia de Deus através dos méritos do Seu Filho. Deus é Pai! Sua essência é o Amor (I Jo 4,8). O céu que “comprou” para nós custou o preço do sangue do Cordeiro, Seu Filho Amado (cf. I Pe 1,18-19). Mas foi isto que nos levou de volta para os braços do Pai.

São muitos os filhos que desfrutam dos braços do seu pai, ainda que já velho ou mesmo falecido. Já outros nunca os tiveram! Como muitos são os pais que mesmo diante do gesto do filho, não o sabem perdoar, e não cabe aqui um julgamento. Cada vida tem uma história com suas alegrias a lágrimas, presenças e ausências, encontros e perdas. O fato maravilhoso é que muitos filhos vão além de suas feridas em relação à paternidade humana e dão testemunho de perdão e oração. Plantam amor e cuidado porque Deus faz novas todas as coisas. Agradeçamos a Deus por nosso pai, ainda que tão fraco, tão pecador, tão limitado... Ele está dentro do desígnio de Deus para a nossa existência e não há acidente nos planos de Deus. Hoje podemos ser sinal de amor, gratidão e intercessão pela conversão e salvação de nosso pai. Sim, “papai nos perdoou”, nós também agora podemos fazer o mesmo quando ele se mostra “muito mais um jarro frágil do que um herói”. Feliz Dia dos Pais!

Antonio Marcos

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