2011-08-12

A conhecida contradição vivencial da fé


“As pessoas continuam indo à igreja, mas a Igreja continua perdendo seu espaço na sociedade pós-moderna”, dizem alguns críticos. É tão complexa e estranha esta análise de que a Igreja “perde espaço” na sociedade. Primeiro: o conceito de espaço na vivência da fé é redefinido quando o assunto é o anúncio do Evangelho ao Homem de hoje. Talvez o fato dos contínuos choques entre o Estado e a Igreja terem ficado outra vez evidentes, aparentando “Este ser mais forte do que Esta”, então se deduz que a Igreja está sendo banida da vida das pessoas. Isto é um grande equívoco! Desde os escritos de Leão XIII até o Concílio Vaticano II com suas positivas consequências até os dias de hoje, a Igreja compreende que o seu espaço é, mais do que nunca, o espaço do Homem onde quer que ele esteja ou faça. Por isso a Igreja não pode esperá-lo como tantas vezes tem sido esta a tentação em nossos ambientes eclesiásticos, em nossas pastorais e ações evangelizadoras, até mesmo nas celebrações litúrgicas e muito pior na nossa maneira de pensar e agir pessoal. A Igreja não pode dar ao Homem “água com açúcar”, ou seja, “migalhas do Evangelho” apenas para mantê-lo como número a mais no rebanho. A Igreja tem como missão ligar o Homem a Deus pelo seguimento a Jesus Cristo, e isto é processo de conversão, não mágica. E que bom, a Igreja é Mãe e Mestra. Segundo: Dizer que a Igreja perde espaço na “sociedade secular” é um paradoxo. Ela nunca esteve tão presente! Agora, a questão é o que faz e como faz para conquistar o Homem de hoje tão disperso, tão atraído pelos prazeres momentâneos, mas também tão sedento de Deus, de sentido de vida e de valores perenes? Por sua vez, “este Homem – como diria o beato João Paulo II - é o caminho da Igreja” (Redemptor Hominis, 14). Bem sabemos que, de fato, o Homem vive uma distância visível e crescente das realidades religiosas. Porém, não podemos julgar que sua irreligiosidade seja sinônima de ateísmo ou pessoa não cristã, ou ainda menos cristã. Nem sempre! A conhecida contradição vivencial da fé está sempre em pauta: muitos dos que vivem cotidianamente a sua religiosidade, não vivem a interioridade. Esta, só a graça da conversão pode operar e o seu transbordamento se dá através da prática da caridade! Devo continuar indo à igreja, se possível todos dos dias para viver o Mistério Eucarístico, pois isto é também um pedido da Igreja, mas Eu devo ser Igreja lá onde habito, onde trabalho, onde estudo e convivo. Quando isto não acontece, aí sim, a Igreja perde espaço, perde a oportunidade de atrair, conquistar, consolar e salvar o Homem.

Antonio Marcos     

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