Nas mãos de Deus

Escrito Por Antonio Marcos na segunda-feira, julho 04, 2011 Sem Comentários

O poema de Santa Teresa de Ávila “Nas mãos de Deus” é bem conhecido dos que já tiveram a oportunidade de se aproximar de sua espiritualidade através de seus escritos. Todo ele mostra o estado de confiança e abandono nas mãos de Deus por parte desta mulher de contemplação que, por sua vez, caminhou e cresceu na amizade com o seu Amigo e Senhor através das labutas e securas, gozos e consolos da alma. Destacamos aqui apenas uma pequena parte do poema quando assim diz:
“Sou vossa, sois o meu fim: Que mandais fazer de mim?
(...) Se quereis, dai-me oração;  Se não, dai-me soledade;
Abundância e devoção, ou míngua e esterilidade”.
Os que caminham na fé e mais comprometidos com sua vivência sabem que a oração, ao lado da vida sacramental, é uma coluna de sustentação indispensável na vida cristã como experiência de seguimento e amizade com Jesus. Daí que temos consciência que “quanto mais rezamos, mais desejamos; quanto menos rezamos, menos desejamos”. Acontece que a secura da alma, aqueles dias de maior dificuldade para rezarmos e até a constatação que tudo dentro parece esfriar-se, não deveria nos levar ao desânimo, mas a ter a atitude humilde de pedir a Deus que nos sustente mesmo em dias de “noites escuras da alma”. Ajude-nos, Senhor, para que continue vivo o desejo de rezar!
“Sou vossa, sois o meu fim”, é a certeza absoluta de Santa Teresa de Ávila. Sem esta verdade impressa pelo próprio Espírito Santo dentro de nós, os dias de prova e de secura serão desesperadores, bem diria Madre Teresa de Calcutá. E poderíamos falar – se fosse aqui o caso – da dor e do sofrimento, mas tudo pede a vivacidade do núcleo desta pertença. “Se quereis, dai-me dias de deserto na alma”, parece loucura tal pedido, e pode também parecer que seja apenas para os místicos, puro engano, mas para os batizados: eu e você! Ajude-nos, Senhor, a não desperdiçarmos tantas oportunidades de sermos purificados e crescermos na humildade, no abandono e na confiança de que a água do Teu amor não cessa quando o meu poço se esvazia.
Antonio Marcos