2011-07-20

Não tem preço o bem que queremos aos amigos


Não se aprende a contar o número de amigos, mas a amá-los, porque cada autêntica amizade é uma experiência única, uma dádiva, uma vida que passa a existir significativamente aqui dentro de nós. As Sagradas Escrituras dão testemunho que são poucos os amigos, mas eles, além de dom, são promessas escatológicas, ou seja, antecipam em nós aquela comunhão que viveremos eternamente no céu, a amizade com Deus. Por isso não tem preço o bem que queremos aos amigos (cf. Eclo 6,15), e não temos dúvida de que são bálsamos de vida, estejam próximos ou distantes. Os anonimatos de duas vidas são unidos pela reciprocidade da escolha e do amor cultivado e celebrado, e chegam a tornar-se “alma gêmea”, amando o amigo tanto quanto a si mesmo (cf. 1Sm 18,1). A canção diz que “amigo se guarda no peito”, e é verdade! Porém, para nós que cremos o amigo deve ser guardado, sobretudo, no sacrário. É Deus o autor dos encontros que edificam e somente Ele conserva os amigos autênticos. A oração pelos amigos é o primeiro ministério da amizade, até porque a distância, o silêncio, as provas, as dores, as inconstâncias, as diferenças, nossos limites podem nos querer fazer pensar que a amizade é um projeto humano, e na verdade não o é. A amizade autêntica traz consigo a vocação da oferta de vida: “Ninguém tem maior amor do que aquele que se despoja da vida por aquele a quem ama” (Jo 15,13). Obrigado, meu bom Deus, pelo mistério de tua amizade conosco, “amor que ama até as últimas consequências” (Jo 13,1). Obrigado pela desconcertante relação com o Filho e com o Espírito Santo, porque ainda quando tudo pareceu solidão, estavas presente. Ensina-nos a fazer da amizade mistério de vida ofertada, despojada, “amor que cativa e que se compromete pelo que de bom deixamos na vida dos amigos”, como diria o Pequeno Príncipe. Gratidão pelos meus amigos e amigas. Feliz Dia do Amigo!

Antonio Marcos

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