2011-05-31

Qual a razão dos teus louvores, de tua alegria, Maria?


Maria é um exemplo feliz de vivência da alegria cristã. Não conseguimos imaginá-la de outra forma. Mas esta maneira de viver tem, felizmente, uma explicação: ela fora alvo da visita gratuita de Deus e de seus favores, preenchida da Sua graça e tornada digna de receber o Filho de Deus encarnado. E tudo isto passou por sua resposta generosa, por sua aceitação ao projeto de Deus, à vocação do céu para a sua vida. Tal vocação, podemos assim dizer, é também a nossa: deixar Jesus ser gestado dentro de nós pelo poder do Espírito Santo, mediante a fé. A visita de Deus na alma é mesmo uma “revolução”, numa linguagem científica, um “big-bang” de alegria. Quem não se lembra de Francisco de Assis, o que lhe aconteceu após a sua forte experiência de Deus, após ser preenchido por uma graça infusa extraordinária, fora conduzido pelo desejo de louvar a Deus aos bosques e lá cantava, dançava e exaltava o nome de Deus. No fim da vida, não tendo mais a mesma saúde da juventude, deitado no leito, fazia de dois gravetos o seu violino com o qual cantava para os irmãos e os desconcertava porque não entendiam como alguém se preparasse para a morte daquela forma (Irmão de Assis, Cap.1). 
Algumas linhas pessoais de Bento XVI, lidas e meditadas recentemente, diziam: “O Cristianismo confere alegria, alarga horizontes” (Luz do Mundo, parte I, 1). Quando vemos Maria correr apressadamente ao encontro de Isabel para partilhar de sua alegria e ser solidária com sua prima também grávida e já com seis meses e, por sua vez, já idosa (cf. Lc 1, 39ss), vem-nos inevitavelmente à memória a figura de algumas outras mulheres e homens de Deus ao vivenciar a “pressa” em partilhar o melhor que receberam, o próprio Deus. Quem não se lembra de Teresa de Ávila na sua pressa para evangelizar, em Teresinha na corrida pela santidade, em Madre Teresa de Calcutá no desejo de ir ao encontro dos pobres e em João Paulo II que desejava tanto estar com os jovens? Quem de nós não se lembra de Chiara Lubich (Fund. Dos Focolares) na sua sede pela unidade de todos os homens? Quantos ainda de nós somos testemunhas de homens e mulheres inflamados pela evangelização como Monsenhor Jonas Abib, Moysés Azevedo e Maria Emmir?  “Quem encontrou a Cristo não pode guardá-Lo para si, apressa-se em comunicar aos outros” (Deus Caritas Est, Bento XVI).  E o faz com alegria!
O texto não diz que Maria dançou na presença de Isabel, mas sabemos que o seu Canto a Deus, o Magnificat, foi um canto festivo, de exultação ao nome de Deus, de júbilo, de intensa gratidão, algo que só acontece em quem faz a experiência de ser amado, visitado e favorecido pelos dons de Deus, assim, sem nada merecer, reconhecendo-se “um nada preenchido pelo Tudo”. Maria cantou alegremente e imaginamos a expressão do seu corpo, de sua face, de suas mãos, tudo era manifestação de Deus. A Igreja reza com a expressão de Maria de forma linda e profunda: “Vem, trazendo o Pequenino para o mundo nele crer. A razão dos teus louvores, possam todos conhecer” (Oração das Horas, Hino das Laudes da Festa da Visitação). Maria, Virgem da Visitação, modelo de alegria cristã, modelo de amor partilhado, de caridade fraterna, de missão, de comunhão, vem à casa do nosso coração, canta e dança a misericórdia de Deus, pois, mais do que nunca, estamos outra vez necessitados de saber a razão dos teus louvores. Apressa-te, Mãezinha, e que ao Te felicitarmos, sejamos também repletos do Espírito Santo para que, apressados, corramos ao encontro dos que precisam conhecer o Teu Filho, Jesus Cristo.
Antonio Marcos

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