2011-05-30

Prontos para o fim...


Bem sabemos que em nossos dias de tantas ansiedades, os anúncios de fim de mundo vão sempre emergindo com mais força e banalidade. Os rumores desconcertam até “os crentes” que parecem sofrer de uma amnésia das promessas de Deus, se é que estas promessas ainda estão vivas dentro de nós, nesse caso, trata-se de um paradoxo.  O fato é que as promessas no âmbito da fé precisam estar em comunhão com a Palavra de Deus e receber a seiva revigorante mediante este tronco. Há uma promessa real de “um fim” prescrito nas Sagradas Escrituras (cf. Mt 25,31-46), no entanto, o que deve anteceder este fim é mesmo a nossa vida cada dia distante do pecado. “O amor a si mesmo a ponto de desprezar o amor de Deus”, a decisão de “inventar a própria felicidade” parece mesmo uma tentação forte em nossos dias.  Mas cá entre nós, quanto desconforto intelectual e espiritual quando se escuta falar do “pecado”, não é verdade? Sem dúvida! Mas ele existe porque a nossa própria condição humana o atesta.
Olhamos para nós e vemos que nem sempre predomina um amor autêntico, mas a sujeira moral, a mentira, o ódio e as tantas formas de violentar o próximo. Ainda que uma pessoa diga não reconhecer tais mazelas nela, não quer dizer que não seja pecadora (cf. 1Jo 1,8). Daí que as explicações subjetivas para ocultar a doutrina sobre o pecado é falha. Os consultórios e as palestras de auto-ajuda têm sua importância, mas a verdadeira reconciliação consigo e com o outro é Jesus quem pode operar. “Só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente o mistério do homem” (Conc. Vaticano II, GS, 22). Evidentemente aqui não se trata de dizer que “os não crentes” não possam ser felizes, não é isso, mas que a felicidade dos que creem e dos não creem não pode estar dissociada daquele imã interior que atrai a consciência e a desperta para que se “faça o bem e evite o mal”.
“O ser humano, apesar de pecador, continua sendo capaz de fazer o bem, à medida que colabora livremente com a graça de Deus”. A verdade fundamental é que Cristo conquistou para nós a graça que perdoa, que converte e santifica, põe-nos novamente na direção certa: a vida plena com Deus. Ninguém se liberta da escravidão do pecado simplesmente pelos esforços próprios. Eles precisam da graça de Deus. Não há transformação de vida se Jesus não cruzar o nosso caminho, entrar no cortejo, “tocar e convidar o morto à vida”. Somente isto faz com que o pecado não seja mais um parceiro a andar de  mãos dadas conosco. Sair do pecado é estar pronto para o fim do mundo, seja o verdadeiro de que fala Jesus, sejam ainda aqueles que a toda hora são simulados. Nada mais precisamos temer! Assim viveram e morreram os santos: inimigos do pecado e destemidos de qualquer coisa! 
Antonio Marcos

0 comentários:

Postar um comentário