Osama Bin Laden, as outras formas de extremismos e a Paz

Escrito Por Antonio Marcos na segunda-feira, maio 02, 2011 Sem Comentários
A notícia da morte de Osama Bin Laden, líder maior da organização terrorista Al Qaeda, responsável direto pelo ataque de 11 de setembro de 2001, foi mesmo uma grande surpresa para os americanos e para o mundo, divulgado pelo presidente norte-americano neste dia, 02 de maio de 2011. Rapidamente as imagens da comemoração dos cidadãos americanos, na sua maioria formada por jovens, correram o mundo. Celebra-se a morte de um dos inimigos mais odiados na América do Norte.
A breve reflexão que fazemos, talvez não seja tanto pela natureza do contexto, ou seja, que se tenha eliminado um agressor extremamente perigoso para o bem comum, tendo já manifestado suas posições de natureza ideológica e religiosa (ainda que doentia), estando disposto a não medir esforços para “lesar os Direitos Humanos e as regras fundamentais da convivência civil, inclusive de uma nação ou de nações”, levantando a bandeira do “extremismo islâmico” (que não tem nada a ver com a identidade da Religião Islâmica e do povo Árabe), não respeitando assim nem mesmo as pessoas inocentes, mas, nossa reflexão se concentra mesmo em outro perigo: o sentimento de pessoas machucadas que esperam, ainda que seja necessária, a vida inteira por uma vingança.
Nas respostas de alguns americanos nas ruas não se percebe que a preocupação primeira estivesse no desejo de evitar novos ataques, até porque este fato não é o fim do terrorismo, pois pode ser novas lenhas nas brasas da fogueira, mas, na verdade, queria-se saciar o orgulho ferido de um povo que faz do patriotismo uma “religião” também com seus muitos extremos. Os gritos de que “nós o pegamos e agora teremos paz” parece mesmo ser um grande equívoco e ilusão. A paz não é só ausência de guerras e de ameaçadores de guerra, no caso, o terrorismo. A paz é mais profunda, nasce em corações que fazem do Bem e da Caridade a sua bandeira de vida. Ela nasce de valores que formem gerações de jovens capazes de encontrar meios de punirem os adeptos do mal, os inimigos do bem, e não que fomentem o patriotismo da vingança, o ódio guardado como uma cobra venenosa em estado de ameaça, o ataque ocorrerá a qualquer hora, seja quem for. Nessa hora não importa quem seja, vale a honra das estrelas de nossa bandeira, ainda que os Direitos Humanos sejam ultrajados! Não foi isso que o mundo tem visto, especialmente no Governo de George W. Bush? Portanto, um paradoxo!
Por outro lado algo também nos preocupa: a bandeira política, a garantia da reeleição de Barack Obama. É fato que as ações de um governo, quando assim favorecem a opinião publica dão-lhe credibilidade. Tudo bem, mas até que ponto certas ações de governo estão em consonância com o bem comum? São questões complexas! Bem, os americanos, nossos quase vizinhos, pensam que vão dormir realmente em paz, o que nos parece difícil quando “o conceito de paz” para os cristãos e “luteranos” são bem diferente daqueles gritos de comemoração nas praças dos EUA. O fato é que o terrorismo é mesmo um câncer, “um mal não necessário”, lembrando aqui o oposto da expressão de João Paulo II quando falou do Holocausto na sua obra “Memória e Identidade” (O papa falava do mistério da misericórdia e da providência de Deus que têm a última palavra e não o mal). Esperamos que não aja represálias e mais pessoas inocentes venham a pagar por isto. Que Deus nos proteja e que a Páscoa do Seu Filho Jesus Cristo, nossa Paz (Ef 2,14), nos ensine o caminho da verdadeira paz.
Antonio Marcos