O “fim do mundo” como a última notícia

Escrito Por Antonio Marcos na terça-feira, maio 24, 2011 Sem Comentários


Assim reza a Igreja neste Tempo de Páscoa: “Ó Deus, que pela ressurreição do Cristo nos renovais para a vida eterna, dai ao vosso povo constância na fé e na esperança, para que jamais duvide das vossas promessas” (Oração do Dia, Terça-feira da 5ª semana da Páscoa). A súplica da Igreja a Deus é para que nós, os que cremos e fomos renovados pela certeza da ressurreição de Jesus, e tendo nos colocado a caminho da vida eterna, não venhamos a fraquejar em outras certezas fundamentais, de forma especial, nas promessas de Deus, quer para a comunidade da qual fazemos parte, a Igreja e a nossa família, quer para a nossa própria vida, que traz uma história marcada por alegrias e sombras.
A pergunta é: por que nos permitimos ser assolados pela volubilidade dos fatos e acontecimentos? Por que os rumores de “fim de mundo”, por sua vez alguns tão superficiais, são suficientes para o assombro e o medo de tanta gente que se diz ter fé, que se diz cristã e crente nas promessas de Cristo? Qual é mesmo este Cristo no qual dizemos seguir? Qual é mesma esta fé? Onde ela está sendo nutrida e com qual constância? O que é ter fé, afinal, nas promessas de Deus? Tais perguntas, sem dúvida, são primeiramente para quem vos escreve. Se a dúvida já nos parece – segundo a oração da Igreja – “um perigo”, imaginemos a vulnerabilidade de nossas convicções religiosas, a fácil desestabilidade com que nossa caminhada de fé se encontra quando nos sobrevêm os rumores antigos e sempre novos de que Ele, o Messias, está aqui e ali. Tenha o Senhor misericórdia de nós!
Sim, Deus está aqui, está neste mundo, caminha conosco no Cristo Ressuscitado porque sua fidelidade permanece para sempre, Seu amor e amizade com o homem redimido não muda. Esta é a fé da Igreja. Deus participa da vida do homem e continua a guiar a obra da Criação, não obstante a prepotência do homem e seus constantes “não”. Cristo voltará para julgar os vivos e os mortos e todos os olhos contemplaram tal mistério. No entanto, quão frágil é a nossa fé, por isso ajuda-nos, Senhor, ao menos a aprender a rezar pedindo fé e esperança, porque “acreditar no que não se pode ver” parece ato de violência para alguns corações. Nunca fomos tão inteligentes, tão modernos, tão técnicos, tão atualizados na última notícia... Da mesma forma, nunca fomos tão “analfabetos” no conhecimento da verdade e tão “distraídos” na vivência da fé. Ensina-nos a rezar, a viver e a amar, pois é isto que nos atualiza a tua ressurreição.
Antonio Marcos