2011-04-10

Vem, amigo Jesus, vem depressa!


A ressurreição de Lázaro é um sinal, legível em vários níveis. É celebração do nosso batismo. No dia do batismo, a Igreja se dirige ao catecúmeno como faz com o cristão que caiu no pecado: “Lázaro, vem para fora”; Cristo e a Igreja dizem: “Tirai-lhe as faixas e deixai-o ir”; as faixas do pecado caem à voz da Igreja que ora com Cristo diante do homem pecador (=Lázaro), e sua oração restitui-lhe a vida, mergulhando-o nas águas batismais (Comentários introdutórios ao 5º Domingo da Quaresma, ano A, Missal Dominical).
 A celebração dos mistérios de Cristo mediante a liturgia na vida da Igreja não é simbolismo, vaga recordação, aspecto dispensável para a fé cristã católica, mas, verdadeiramente é atualização do Mistério da salvação em Cristo, acolhida da graça que nos santifica, ocasião que nos permite dar gloria e honra a Deus, manifestar a nossa fé e estreitar o vínculo de filiação e amizade com Deus, ocasião ainda de celebrar a nossa pertença uns aos outros como irmãos em Cristo. Não vivemos na Igreja “representações”, mas “comunhão”. O mistério celebrado não nos põe diante de um quadro pintado, mas nos insere na realidade, na própria vida de Deus que quis se utilizar da Igreja para a atração dos homens à Sua Face e à salvação no Seu Filho. Isto é belo. Descobrir isto não é fruto de uma teoria, mas de uma experiência de quem renasceu para a vida nova em Jesus Cristo.
Que bom seria se não nos distanciássemos desta experiência! Que bom seria se continuamente a maioria dos católicos pudessem – ou o milagre de “todos” – reviver a experiência de Lázaro na participação na vida sacramental, de forma sincera e comprometida, pudendo assim ouvir da Igreja, especialmente na Confissão: “Lázaro, vem para fora” (cf. Jo 11, 1-45). A Igreja tem consciência dos que desejam esta vida sacramental, e até choram de desejo, mas, infelizmente, por motivos diversos e graves, não podem se confessar e comungar. Mesmo assim Deus não deixa de assisti-los mediante a acolhida da Igreja. No entanto, quantos de nós estamos distantes da vida sacramental por motivos banais, quero dizer, por motivos que só dependem de nós e ainda assim permanecemos enfaixados, “mortos em nossos sepulcros”.
É certo que não é fácil esse retorno, bem sabemos por experiência própria. A distância das coisas de Deus e a velocidade com que o esmorecimento acontece em nós é assustador. Quando deixamos de rezar, quando vamos adiando a leitura da Palavra de Deus, a confissão e até o ponto de começar a faltar a Missa Dominical, a gente vai como que sendo anestesiado na fé, os movimentos vão desacelerando e rapidamente nos vemos paralisados não só na vivência da vida cristã, mas no próprio desejo, nas motivações interiores. Por excelência, o Batismo, mas também a Crisma, a Pastoral, o Seminário de Vida no Espírito Santo, o grupo de oração, o grupo de jovens, são realidades que nos colocaram pra fora de nossos túmulos, mas é possível que voltemos a eles.
Não sei se você já viveu a experiência pessoal de sentir que Jesus “chorou por você”, ali, sentado do teu lado quando o mundo se fechou, quando sentiste que estavas no túmulo por causa do pecado, da negação a Deus, da insistência nos erros, das feridas do corpo e da alma, e Jesus chorou porque ama mim e ama a ti. A morte física fez Jesus chorar pelo seu amigo, mas esta é passagem para a vida eterna e feliz, quando morremos na sua amizade. Porém, a morte da amizade com Cristo pode ser irreversível por causa da dureza do nosso coração, e ninguém está isento disso. Essa morte faz Jesus chorar porque sabe que não nascemos para o túmulo! Só Jesus tem o poder de nos restituir a vida. Não foi isso que Ele fez comigo e contigo? Quanta alegria quando revivo a experiência: “Vem para fora, filho!” Só Jesus é capaz de nos fazer sair de nossos túmulos, da dureza do nosso coração e nos desenfaixar de nossas mortes e nos mandar caminhar. Vem, amigo Jesus, vem depressa! 
Antonio Marcos

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