2011-04-22

Pelo madeiro da cruz veio a alegria do mundo inteiro

Crianças que nunca ouviram nada sobre Jesus Cristo perguntam muitas vezes o que significa esse sofredor na cruz. Adeptos de outras religiões admiram-se com o fato de que representamos um deus crucificado. Quando pessoas não batizadas provenientes dos estados alemães ex-comunistas visitam uma igreja, frequentemente não sabem como lidar com as representações da crucificação. Quando procuramos explicar-lhes as representações da crucificação, precisamos de muita sensibilidade e delicadeza. 

Cada representação da cruz tem seu valor. Mas certamente é demasiadamente unilateral quando lhes mostramos somente representações dramáticas da crucificação. Segundo sua história, a cruz é um sinal de vitória. Foi decorada e cercada de muitas imagens. Essa riqueza da iconografia cristã faria bem às nossas igrejas. Mas também as abordagens do sofrimento têm seu sentido. Pois, num mundo onde se fecham os olhos ao sofrimento, as representações da cruz nos lembram que nem tudo em nossa vida dá certo.

Justamente ao colocar diante dos nossos olhos também o negativo, pode-se dissipar nosso medo dele. Pois tudo é transformado na ressurreição. A Igreja antiga vinculou a simbologia da ressurreição à simbologia da cruz. Essa maneira manifesta-se ainda nas cruzes triunfais românticas, por exemplo, na catedral de Halberstadt, nas igrejas de Wechselburg ou Freiberg, principalmente na região Saxônia. Ali, Cristo é representado em pé sobre o dragão. E sob a cruz, Adão levanta-se do túmulo. Aqui se representa menos o sofrimento do que a perfeição da morte. 

Antes de poder explicar a outras pessoas o que significa a representação da crucificação, precisamos prestar contas a nós mesmos, perguntando-nos se entendemos realmente a mensagem intencionada da arte. Precisamos mergulhar nas representações da cruz através da meditação.  Então veremos que não são simplesmente meras representações do sofrimento, mas sempre imagens da superação de todo sofrimento, imagens de esperança e consolo, imagens que querem levar luz para as nossas trevas, confiança para nossos medos e alegria para nossas tristezas. Cantamos numa antífona da Sexta-feira Santa: “Pois pelo madeiro da cruz veio a alegria do mundo inteiro”. 

Autor e Fonte: Anselm Grün, monge. A Cruz, a imagem do ser humano redimido, 2010.

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