2011-04-23

Maria é a nossa companheira nos “sábados existenciais”


Depois da “hora da Páscoa”, tendo ido com o discípulo João “para casa” – para a comunidade cristã -, Maria é assim uma viva expressão de solicitude filial. Maria é a mãe de todos os irmãos de Jesus, o Redentor. Dela recebemos, por excelência, a maternidade espiritual. Maria é Mãe da Igreja, esposa do Esposo. Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe. É muito significativo aprender com o Concílio Vaticano II (cf. LG 58) que “Maria avançou na sua peregrinação de fé”, ou seja, que sua fé – assim como a nossa – foi um dom de Deus, mas não uma fé pronta, mas em processo de maturação. Daí que esta fé fora provada em tantas circunstâncias, especialmente na “hora da Páscoa”. No entanto, Maria permaneceu intimamente unida ao seu Filho da concepção até à sua morte. Na hora da Paixão, ela estava de pé, junto à cruz (cf. Jo 19,25). Esta união ao Seu Filho na hora da Paixão consistiu também num intenso sofrimento, mas não fraquejou o seu ânimo materno, aquele que se confunde com o sacrifício ao extremo por amor ao filho de suas entranhas e, no caso particular de Maria, somado essencialmente às promessas e à fé de que aquele único filho era, misteriosamente, o Filho de Deus.
Reunida com os apóstolos e algumas mulheres, a Igreja contempla Maria “pedindo também ela com suas orações o dom do Espírito” (cf. LG 59). Os Padres da Igreja muito refletiram a missão de Maria junto aos apóstolos no “sábado do repouso” e “nos dias” que antecederam a descida do Espírito sobre todos os reunidos no Cenáculo. Na verdade, Maria é a nossa companheira nos “sábados existenciais” da nossa vida e da humanidade. Unidos a ela os apóstolos esperaram o “grande dia” da Ressurreição nas suas vidas. Ela é modelo exemplar de fé provada que produz esperança imbatível. Maria acreditou contra toda desesperança e quer nos ensinar neste dias da humanidade tão necessitados da esperança cristã. Unidos a Maria é grande a nossa responsabilidade em ajudar os homens a esperarem a feliz manhã de Domingo. A vida cristã não foi feita para acabar numa “Sexta-feira de horrores e num Sábado frio e silencioso”, mas para alcançar e se realizar na manhã de Domingo, dia em que ressuscitaremos com Cristo, nossa Páscoa. Obrigado Mãezinha, Mestra da fé e do Amor, modelo de esperança, abraça-nos e leva-nos até esta feliz manhã.
Antonio Marcos

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