2011-04-06

Escrever um livro ficou mais fácil!


A febre dos livros de auto-ajuda no que diz respeito às motivações para as relações humanas, principalmente no campo da realização profissional, como se pode ver, ganhou destaque nos últimos anos em todos os espaços de nossas livrarias. Virou meio de vida dar algumas orientações de como se relacionar bem com a família, com os amigos, com o (a) “parceiro” (a) e ainda como ser um vencedor nos negócios, inclusive, sem jamais deixar de lado a questão religiosa, a pedra de toque para seduzir. O fato é que parece que escrever um livro ficou mais fácil e os critérios para julgá-lo um Best-Seller não são mais tão rigorosos, afinal, é fácil vender “caricaturas” da Verdade (sem o extremo da generalização). Daí que não podemos desconsiderar as ilustres personalidades do mundo da cultura, mas tem alguma coisa errada com os critérios. 
Algumas obras ganharam tanta popularidade que fizeram com que algumas pessoas as colocassem em posição mais credível em relação à própria “Palavra Revelada” (e não estamos exagerando!). Não se negam que algumas obras sejam interessantes, dignas de elogio, com destaque para os “clássicos”, sem dúvida. No entanto, observa-se que sempre que essas obras fazem uma “salada de conceitos bíblicos e pensamentos pessoais de caráter ideológicos”, logo nos deparamos com interpretações grosseiras e completamente destituídas de uma colaboração científica ou ao menos mais sensata e criteriosa. É impressionante a contradição de se acusar a Igreja de seus fundamentalismos históricos – o que não se pode negar que existiram - e vermos isso hoje com mais força numa literatura que se arvora do direito de dar novos significados para elementos essenciais da fé cristã, dando sempre uma favorável colaboração para o relativismo, pra não dizer, o laxismo.  
Os critérios podem até sofrer essa drástica mudança do lado de lá, porém, do lado de cá, os nossos critérios como leitores cristãos não podem ceder a esse reducionismo tão prejudicial, pois seria perigoso demais. Falo do reducionismo das interpretações de alguns autores do barulho. Eles, “para venderem o peixe”, seduzem o coração e a consciência pela literatura e vomitam seus ódios à Igreja como Instituição divina, sem deixarem de adocicar suas posições apresentando um “Deus moldado aos nossos caprichos, sem regras, sem uma Moral, sem Igreja e, quem sabe, até sem fé, bastando apenas um “pensamento positivo acerca de Deus”. E estamos fascinados com tudo isso! E os cristãos católicos não estão isentos das responsabilidades, exatamente porque, infelizmente, a maioria de nós ainda se comporta literariamente e discursivamente como se estivesse em dias de Cristandade. Pelo incrível que pareça, ainda é um fantasma que nos persegue essa escravidão de falarmos e escrevermos como se todo mundo ainda fosse católico, crente, temente a Deus, submisso à Igreja, à norma da fé, à Religião, aos Princípios Absolutos, a uma Verdade.
Bem, o que estamos querendo dizer mesmo é que ficou mais fácil escrever um livro! O que não ficou mais fácil foi a capacidade de renunciar à sedução provocada por este relativismo cruel que impera na nossa literatura e discurso, sempre com novos meios e métodos. Pretende-se falar dos processos para uma vida feliz e realizada em todos os âmbitos, mas isso parece impossível sem que tenhamos que falar de Deus de um modo inovador, completamente segundo um jeito moderno de vê-Lo. Antes o nome de Deus fora usado para justificar assassinatos e terrores humanitários, hoje podemos usá-lo para dar uma "ideia" de que Ele ainda existe e age conforme nossas manipulações. Tem gente que engordou os cofres com suas obras, falando bonito de Deus, seduzindo as novas gerações de leitores crentes, mas, o interessante é que muitos deles nem se quer acreditam que Deus exista! Mas, não importa, vale escrever sobre Deus porque este “Tema” continua proporcionando lucros. É uma pena que os critérios para se depurar a “febre de Deus na literatura” tenham mudado drasticamente. 
Antonio Marcos   

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