2011-03-16

O corpo participa da experiência com Deus

PARTE 1 – Esta publicação faz parte do que chamo “pequenas partilhas” (a partir de minhas anotações), do Curso aos Jovens sobre Teologia do Corpo (baseado na Teologia e vida de João Paulo II), ministrado no RENASCER 2011, por Meyr Andrade (Consagrada na CVSh, Missionária na Diaconia Geral Shalom).

O papa João Paulo II, na ocasião como ainda Padre Karol Woityla (Cracóvia, Polônia), aprendeu desde cedo a viver a vocação da convivência com os jovens. A amizade e o cultivo da mesma foram exatamente o que fez com que melhor compreendesse e se comprometesse com os seus dramas, desafios e lutas no tocante à vivência da castidade. Acreditava com todas as forças do seu coração ser possível a santidade já nos anos de juventude, porque somente ela corresponde e satisfaz plenamente a nossa sede de felicidade.

Nesse intuito, Karol exercitava a criatividade na evangelização dos jovens, basta recordarmos a sua frequente prática esportista de percorrer com os jovens as trilhas, os Alpes, as maravilhas da natureza. Aproveitava especialmente os dias de férias do Colegial e da Faculdade para os “acampamentos”. Tal experiência, além de favorecer a relação do sacerdote com a juventude, era encarada como oportunidade para se “pescar os jovens para Deus”. Vale lembrar que durante o trajeto faziam-se algumas paradas para um momento de Catequese e celebração da Sagrada Eucaristia. Nesses preciosos momentos João Paulo II falava aos jovens sobre os pilares da fé e os valores da pessoa humana. Sua maior preocupação era ajudar os jovens a descobrirem a riqueza e beleza de se viver intensamente e com responsabilidade os relacionamentos, o namoro, a castidade, a amizade, tendo como referência o Evangelho de Jesus Cristo.

Era preciso, sobretudo, ajudar os jovens na disponibilidade do coração para que se pudessem acolher os valores. Karol Woityla se esforçava para ensinar aos jovens que o corpo é dom, que tem uma mística e é chamado a participar da vida de Deus. Sim, o corpo participa da experiência com Deus, não é algo que deve ficar à parte. Um bonito exemplo a se contemplar é o da dança e do louvor a Deus. Infelizmente vivemos hoje um contexto no qual se pretende de todas as formas levar o corpo para dois extremos: a exploração estética e sensual do mesmo, e a negação total, o desprezo deste corpo.

Deus reservou para o homem e para a mulher um espaço único e concreto para se viver a comunhão e experiência salvífica com o Seu amor. E o bom disso é que o nosso corpo acompanha essa relação. Negar isto é desviar-se, desencontrar-se da felicidade ou viver atrofiamentos na vida espiritual. O mundo tem ensinado o contrário disso tudo – quase que propondo um retorno ao pensamento grego de desprezo do corpo na experiência com o Transcendente -, porém, a nossa experiência cristã descobre que existe uma mística para o corpo, Templo de Deus, lugar de encontro, de relação, de vocação, de doação e celebração. “O corpo é sacramento da pessoa”, afirmava João Paulo II.

Antonio Marcos

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