2011-03-08

Mulheres, minhas irmãs, quão grande é a vossa missão!


Interpretando as palavras da reflexão sobre o belo mistério da relação de Jesus com as mulheres, em Nélida Piñon (Cartas entre Amigos II, Pe. Fábio e Chalita), posso assim concluir que Jesus amou as mulheres. Graças a Maria, sua mãe, familiarizou-se com o Ser feminino. As estruturas do seu tempo não as valorizavam, mas Jesus vai além, contempla-as e estabelece relações que são como que o filtro da justiça e da bondade. Tratou-as com respeito e com amor. Agora Deus não quer mais ouvir a voz dessas mulheres unicamente no templo, quando iam levando seus lamentos de infertilidade, de solidão e de abandono. A partir de Maria, por excelência, Deus nos forma numa nova compreensão de que a mulher carrega em si o tesouro da sabedoria, é portadora também do Divino e de Suas graças, é sacrário que gera e porta a vida”, como tão bem afirmou o Papa João Paulo II.

Jesus vai ao encontro das mulheres do seu tempo, com suas alegrias e dores próprias. A ternura de Maria, a firmeza, a sabedoria e a pureza “imprimem em Jesus” essa sensibilidade na relação com o feminino. Ele é amigo de Marta e de Maria e se alegra com as mulheres que escutavam sedentamente suas palavras de salvação. Jesus quer estar sentado naquele poço na cidade de Samaria para um diálogo redentor. Jesus entende que aquele gesto da mulher que quer ungi-lo com perfume, significa o desejo de cada coração pelo bálsamo da misericórdia. Sim, as mulheres nos ensinam esse caminho de volta ao essencial, a sair da nossa dispersão e engano com o transitório para retornarmos ao definitivo, ao que nunca passa. Jesus ainda espera que lhe tragam aquela mulher adúltera, porque deseja olhá-la nos olhos com misericórdia e ensinar aos presentes que aquela severa justiça não salva, mas escraviza. Só o amor é capaz de curar. Da mesma forma, Jesus entende a dor de uma mãe que enterra seu filho e se deixa ser consolado e confortado no rosto por uma mulher nas horas que mais precisa: a hora da dor e do sangue, do peso da cruz.

O Dia Internacional da Mulher é uma data do calendário civil, contextualizada, mas pede uma reflexão não somente sobre o papel da mulher na sociedade como colaboradora do progresso, mas, sobretudo, sobre sua vocação como pessoa, como feminino, como filha, amiga, namorada, noiva, esposa e mãe, como filha de Deus, como aquela que tem a missão em nossos dias tão desafiantes de “humanizar o homem”, de ajudá-lo no caminho da santidade,  segundo a profunda teologia de João Paulo II. Ressoa-nos as palavras de Santa Clara: “Francisco, desapega-te da obra de Deus e permanece com Deus!”.

Mulheres, minhas irmãs, saibam que nunca necessitamos tanto de sermos auxiliados no processo da vivência do desapego: tirar o coração das coisas desse mundo e pô-lo no que não passa, no céu. Foi isso que ensinou Maria de Nazaré no seu tempo, como todas as santas mulheres “canonizadas e anônimas”, e como as mulheres de nossos dias: nossas mamães, Madre Teresa de Calcutá, Ir. Dulce, Dra. Zilda Arns, Chiara Lubich e tantas outras. Deus abençoe a todas as mulheres e conceda-lhes a graça da amizade com o céu para que vivam com fidelidade a altíssima missão lhes confiada pelo próprio Evangelho: “Não temais! Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá me verão” (Cf. Mt 28, 9-10). 

Antonio Marcos

Imagem: Maria Emmir, Cofundadora da CCSh, Renascer 2011: autografando o seu mais novo livro.

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