2011-03-04

Fazer memória de uma pessoa


A Liturgia da Palavra deste dia, 04 de março, faz um elogio aos “homens de piedade” e exalta o valor da fé na vida do cristão. Fazendo memória, o livro do Eclesiástico (Cf. 44, 1.9-13) deixa claro o vazio de significado na vida de alguns “famosos”, antepassados do Povo de Israel, quando uns caíram no esquecimento e, já outros, são lembrados porque “seus gestos de bondade não serão esquecidos”. Impossível não lembrar as palavras de Bento XVI (Deus Caritas Est): “Tudo passa! Só permanece o que construímos de bom na vida das pessoas!”
A antífona do Evangelho diz: “Eu vos escolhi a fim de que deis no meio do mundo um fruto que dure”. Evidentemente, o contexto inicial faz referência à realidade dos apóstolos quando ficam admirados por verem que a figueira que Jesus amaldiçoou no dia anterior, por não encontrar nela fruto algum, havia secado (Cf. Mc 11, 11-26). E Jesus aproveita a ocasião para formá-los na fé, eis o essencial da vida. A fé faz com que “a figueira da nossa vida dê frutos mesmo quando não é tempo”, ou seja, mesmo quando nos encontramos na secura, na provação e nos desafios próprios da condição humana. É esta fé que nos faz pedir a Deus com a confiança de que já o recebemos.
Recordo-me agora do filme “O Ritual” (em cartaz nestes dias aqui em Fortaleza), quando Pe. Lucas, ao despedir-se do jovem Pe. Michael, afirma-lhe: “A fé enobrece. Conserve-a!” A nobreza da fé e sua conservação, no nosso modo católico de conceber, significam “ser amigo de Deus para que nossa vida dê frutos no meio do mundo”. Pe. Michael, depois do doloroso processo de sair do ceticismo para a fé, porém, experiência luminosa e vivificante, entendeu que só as palavras não bastavam, era preciso ser amigo de Deus para viver frutuosamente a sua nova missão no meio do mundo.
Tudo passará! Só a amizade com Deus e a fé viva fazem com que nossos gestos de bondade sejam autênticos, fazem com que os frutos da nossa árvore alimentem os outros, revigore também a fé dos que estão desanimados. É isto que significa “fazer memória” de uma pessoa. É isto que nos faz lembrar os homens piedosos! Conceda-nos, Senhor, a graça de sermos homens e mulheres de piedade, teus amigos e amigas! Que São Casimiro, “homem de profunda piedade”, interceda por todos nós.
Antonio Marcos

2 comentários:

  1. Assiti hj ao filme... E não tem como não ficar com esta frase:" A fé enobrece. Conserve-a." Sim, só as palavras não bastam, é preciso aceitar Deus, viver em Deus, ser amigo de Deus... É por isso que dizem que é o testemunho que arrasta!

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  2. Que bom, querida Jeania, que foste ver o filme e que também tiveste essa percepção da força dessas palavras, mas que a "nobreza da fé e a sua conservação" corresponde mesmo ao "ser amigo de Deus que gera testemunho". Obrigado por vc, por suas palavras tão sábias. Bom dia! Nossa Senhora a guarde minha maninha.

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