2011-03-10

A criação geme em dores de parto...


 Não quero aqui, de forma alguma, reduzir ou desprezar a temática fundamental que virá a motivar as discussões propostas pela Igreja através da Campanha da Fraternidade 2011, tendo como ponto de partida a “Vida no Planeta”. Quero propositalmente falar de alguns detalhes que, aparentemente, como pensam alguns, parecem não ter nada a ver com a Vida no Planeta, o que é um equívoco, mas que na verdade correspondem primeiramente à Vida dentro de nós e à Vida que, por meio de nós, é promovida nos outros, principalmente naqueles com quem convivemos diariamente.

Refiro-me especificamente a um dos três gemidos de que fala São Paulo (Cf. Rm 8, 22.23.26), ou seja, o gemido dos cristãos no sentido de que deve partir de nós aquelas atitudes sensatas e concernentes à pessoa humana, e ainda mais a quem tem uma consciência de fé. Quem de nós não conviveu ou convive hoje com pessoas tão desacreditadas da vida, desnorteadas até? Os acontecimentos do mundo e as realidades que lhe são próximas governam suas vidas e modificam as atitudes. Da mesma forma se dá nas ações morais e éticas: o parâmetro não é o que está registrado na consciência e nas convicções de fé, seus valores e virtudes, mas na doentia capacidade que tem as más influências e as atitudes dos outros, por menores que sejam. Por exemplo: furo a fila do transporte porque os outros o fazem; o papel no chão não custa nada, meus impostos pagam o Gari; a lâmpada acesa e a minha falta de atenção em desligá-la quando sou o último a sair; talvez na minha casa a torneira esteja pingando, a comida esteja indo para o lixo, ferindo assim a solidariedade e a caridade; talvez predomine em nós o sentimento de indiferença para com os que sofrem e, ainda que camuflados, certamente afetam a paz das consciências, tanto a nossa quanto a dos nossos irmãos. Talvez estejamos pouco preocupados se os outros não têm onde dormir, o que comer e o que vestir.

“A criação geme em dores de parto...”, antes de qualquer gemido, a meu ver, está o da alma e da consciência relaxada. Como pensar no planeta se as míninas práticas que colaboram na conservação do mesmo não começarem na minha vida? Uma mãe que já abortou, ainda que involuntariamente, sabe que existe uma dor intrínseca e pode até permanecer por toda a vida. Os cuidados para com o bebê não começam somente comprando o berço e pintando o seu lindo lugar, mas, sobretudo, com as pequenas coisas, os detalhes, a atenção ao que ainda está escondido, mas que se relaciona com a mamãe. Isso fará a diferença, inclusive quando lhe vier a tentação de abortar seu bebê por qualquer circunstancia. A vida começa não quando o bebê nasce, mas na fecundação! A conservação da Vida do Planeta precisa começar na consciência da vida pessoal e nos detalhes de cada dia. Então o gemido e a do parto não será destruidor, mas de celebração porque a vida estará sempre desabrochando.

Antonio Marcos  

2 comentários:

  1. Boa tarde Irmão. Temos um blog da catequese de jovens do nosso bairro, estou te seguindo pois com toda certeza indicaremos muitos textos seus no nosso blog. Espero que permita e nos ajude a nos formarmos! rsrs

    Atenciosamente,
    Jeania Lima

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  2. Querida Jeania, muito me alegro por saber que este Blog é útil na formação de Jovens da Catequese de sua Paróquia. Isso só aumenta a minha responsabilidade, mas também encoraja a prossseguir partilhando gratuitamente o muito que Deus me concede cada dia. O Blog é nosso, essa minha colaboração na evangelização é um serviço ao Povo de Deus, por meio da Fé da Igreja. Saber que minhas postagens colaboram para que jovens sejam alimentados na fé e reflitam melhor as realidades existenciais à luz do Evangelho, deixa-me grato a Deus. Rezem por mim! A Obra é de Deus e tenho a imensa satifação por ser útil a tantas pessoas. Saibam que rezo por vocês. Que Nossa Senhora guarde vossas vidas!

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