Construirei a “casa” que procuras!

Escrito Por Antonio Marcos na domingo, março 20, 2011 Sem Comentários

Para quem é de Fortaleza e esteve na Santa Missa da Solenidade de São José (Catedral), teve a feliz oportunidade de escutar umas das mais bonitas e profundas homilias do nosso arcebispo, Dom José Antônio Tosi. Arrependi-me de nada ter anotado, mas grudei os ouvidos do meu coração a contemplarem aquelas palavras desconcertantes, provocadoras e cheias de Deus. Em casa tentei lembrar um pouco e aqui partilho brevemente e com alegria. 

(...) A solenidade de hoje, de nosso querido São José, o qual a Igreja celebra como o Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, Padroeiro da Igreja Universal (Católica), apresenta-nos, através da vida de São José e da Liturgia da Palavra, um precioso ensinamento sobre o amor, a vocação, a família, a vida, a maternidade e a paternidade. Sabemos que ambos já traziam em si a responsabilidade de casados, mas ainda não coabitavam juntos. Era um período marcado pelo amor de cuidado para com a sua esposa, a prometida em casamento. Não era no sentido de “esposo” como entendemos hoje, o qual, muitas vezes, é marcado pela busca egoísta do outro, simplesmente para possuí-lo carnalmente e não exercer o amor altruísta, de cuidado, de comunhão, de geração da vida e da celebração da benção de Deus.

São José é um varão, expressa a virilidade no sentido de doação de vida, não uma promoção e defesa do machismo que hoje contemplamos com tristeza em nossas famílias, o que deturpa o projeto de Deus para a paternidade humana. Virilidade hoje é vista como aquele que manda, que tem a última palavra e que pode submeter o outro ao seu autoritarismo. Em Deus a virilidade expressa a paternidade e a doação, de quem busca o outro para amá-lo, e não escravizá-lo!  No encontro, na comunhão, está a celebração do amor, da amizade e a abertura à vida. Fora disso é máscara e disfarce! Vida esta que deve ser gerada sempre dentro da benção de Deus e da celebração do amor. Então, a vida nunca deveria ser gerada fora dessa comunhão, muito menos por violência e inconsequência. A vida nunca deveria brotar de um acidente, da banalização do amor e dos corpos, porque ela é sempre sagrada. 

Vemos pelas Escrituras Sagradas o percurso da vida escondida de São José, mas contemplamos a intensidade do amor, do temor a Deus e o respeito ao outro. José ama sua Maria de todo coração, é justo, é um homem embebido dos segredos de Deus. Sua pureza e castidade são virtudes, são dons, e foram ofertados a Deus para o compromisso de amar e cuidar da Mãe de Deus, toda pura, toda casta, porque o amor não é só corpo; o corpo envelhece, perde seu vigor, mas o amor permanece uma fonte de prazer e de realização plena. Amando Maria, José cuidava da Vida que nos daria vida, da semente da nossa salvação. Imagine se José tivesse vivido um amor covarde, o que seria de nós? Logicamente a providência divina teria seus desígnios para nos salvar, mas quis ajudar José a viver a sua vocação de amor fiel, de lealdade, de fidelidade, de kenosis para fazer o outro feliz, e nessa comunhão recíproca de amor até as últimas conseqüências, o segredo da felicidade. 

Amando e cuidando de sua Maria, e ambos vivendo a vontade de Deus através da virgindade consagrada, vemos a paternidade de Deus, o amor de doação; vemos em Maria a maternidade de Deus, a sua ternura e a fonte de toda vida. Eis o mistério da vida: é Deus quem a concede e não o homem e a mulher. Somos colaboradores de Deus! É Ele quem nos concede a vida, a vocação, o chamado à comunhão com o outro e assim pode nos fazer plenamente felizes. Vemos o diálogo de Deus com o profeta Natã, enviando-o para comunicar ao Seu servo Davi que pedira a Deus para construir-Lhe uma casa: “Não és tu que vais construir a minha casa!” (cf. 2Sm 7,45a.12-14a.16). E poderíamos também assim compreender as palavras de Deus ao homem e a mulher de hoje: “Eu é que providencio a minha casa, portanto, também a tua casa! Eu é que construirei a casa que tu procuras!” Que São José, esposo da Virgem Maria, interceda por todos nós! 

Antonio Marcos