A castidade está comprometida com a minha felicidade

Escrito Por Antonio Marcos na terça-feira, março 22, 2011 Sem Comentários
PARTE 3 – Esta publicação faz parte das “pequenas partilhas” (a partir de minhas anotações), do Curso aos Jovens sobre Teologia do Corpo (baseado na Teologia e vida de João Paulo II), ministrado no RENASCER 2011, por Meyr Andrade (Consagrada na CVSh, Missionária na Diaconia Geral Shalom).

A Teologia do Corpo em João Paulo II, podemos assim dizer, não se trata de algo novo, porque ela apresenta as principais características da antropologia católica na sua visão integral do homem. É o desdobramento por parte do papa do que pensa o Evangelho de Jesus Cristo acerca do homem. O que se pode admitir, em parte, é que essa riqueza estivesse um pouco engavetada, não obstante as propostas louváveis do Concílio Vaticano II. João Paulo II decide empregar suas forças para tornar acessível aos fiéis, particularmente aos jovens, essa riqueza doutrinária, por sua vez, viva e apaixonante.

O papa quer falar aos jovens sobre a feliz vontade de Deus para o homem. Quer fazê-los entender que essa vontade de Deus, que seu desígnio de amor, pode ficar obscuro para nós e até parecer impossível de se viver, exatamente por causa dos vícios, do afrouxamento da tendência da natureza às concupiscências. Daí que é preciso uma "luta contra os vícios", porque eles não estão comprometidos com o melhor de Deus para nós. A castidade sim, esta está comprometida com a minha felicidade. Já dissemos que a vontade de Deus para nós passa também pelo nosso corpo, pelas atitudes, pelos sentidos, pelas realidades cotidianas que tendem a nos roubar do essencial. É preciso que se diga também que os nossos órgãos genitais, além de constitutivos do corpo e de sua função biológica, são dons, são belos e preciosos aos olhos de Deus. Tudo faz parte de um todo que deve se apresentar como mediação do amor de Deus que passa por meio de nós aos outros.

É muito belo contemplar e compreender com João Paulo II que o corpo é lugar do sacrifício, da oblação a Deus de nossas paixões humanas e espirituais. Aqui entra o aspecto do sofrimento, da dor, da cruz, da oferta da vida até as últimas conseqüências. Inevitavelmente lembramos o testemunho do próprio papa naquele Domingo de Páscoa de 2005, quando suas dores eram visíveis, mas não escondidas. Vivia o papa a sua oblação a Deus como escola de amor, como quem sabe que o corpo padece, mas não é por isso que se torna desprezível. João Paulo II, unido às dores de Cristo na Cruz, sinalizava o céu, a certeza de que este corpo ressuscitará para a vida eterna. Tudo na vida de João Paulo II estava comprometido com a sua felicidade e com a dos outros, num contínuo desejo de fazer a vontade de Deus.

Antonio Marcos