2011-02-19

O encontro de duas vidas pensadas pelo desígnio de Deus


Quando penso no amor de José por Maria e no amor de Maria por José, gosto de me perder a imaginar os segredos daquela convivência, dos primeiros olhares, do sorriso, das primeiras palavras que trocaram: gentis, respeitosas e santas. Gosto de imaginar Maria sorrindo e encantada com a gentileza de José. E gosto de imaginar José pensando em Maria, naquela jovem tão bonita, tão de Deus, tão casta, tão cheia de sabedoria. Certamente o carpinteiro de Nazaré, homem justo e piedoso, conhecedor da Lei Divina e das normas de sua crença, homem dado à oração, ficara vislumbrado pelas linhas de Deus escritas na vida daquela linda moça. Que imenso mistério é o encontro de duas vidas pensadas pelo desígnio de Deus.
Não sabemos exatamente como José e Maria se encontraram, mas cremos que eles também esperaram esse encontro e realização no amor. Cremos, sobretudo, que eles rezaram um pelo outro e que Deus cuidou que no tempo certo isso pudesse acontecer. Enquanto não acontecia, cabia a cada um viver a vida na fidelidade ao que eram chamados como pessoas, como homem e mulher de Deus, pois a providência de Deus não esquece de cuidar daquilo que Ele mesmo foi o primeiro a pensar para nós.
 É comum nos nossos dias encontrar jovens e adultos tão confusos e tão angustiados por não encontrarem aquele, aquela com quem compartilhar a vida, o amor, os sonhos, as alegrias e esperanças, dentro de uma relação do namoro. Não são poucos os que, após dedicarem com afinco as melhores forças para a realização profissional e a dedicação aos compromissos com a fé, reclamam de não terem ainda contemplado o objeto de sua espera. E bem se sabe que não se trata necessariamente de uma exigência na qualidade dessa escolha, digo, nos padrões do mundo, mas uma escolha digna, alguém que nos mereça, alguém pensado por Deus.
Gosto de contemplar uma maioria de jovens e adultos que não considera bobagem rezar pelo feliz encontro. Rezar principalmente para que a espera não seja seduzida pela pressa do mundo que, inclusive, favorece os encontros rápidos, mas também na sua maioria esvazia rápido porque não há consistência, não provém daquele “estar de pé junto à fonte a espera daquela que também vem à fonte”. É muito significativa a oração de Isaac: “Senhor, Deus do meu amo Abraão, permite que eu tenha hoje um feliz encontro e mostra a tua amizade para com o meu amo Abraão. Eis-me de pé junto à fonte para tirar água do poço. Pois bem! A jovem a que eu disser: ‘Inclina teu cântaro para que eu beba’ e que responder: ‘Bebe, e eu darei de beber também aos teus camelos’, é ela que terás destinado a teu servo Isaac; por aí saberei que mostraste amizade para com meu amo” (Gn24, 13-14).
O encontro de duas vidas pensadas pelo desígnio de Deus acontece, primeiramente, na oração. Não deveríamos deixar de rezar pedindo a Deus que nos permita viver o feliz encontro, e este não exige, necessariamente, acontecimento extraordinário, mas simplesmente o cumprimento na esperança daquilo que sou chamado a viver hoje. Parar na fonte para dar água aos Camelos era algo comum para os viajantes, como era para as mulheres irem à fonte naquela hora. E qual foi a diferença? A diferença foi fazer daquela ocasião ordinária um acontecimento de oração: “Senhor, permita o encontro!” Este é o primeiro e fundamental segredo para o encontro de duas vidas pensadas por Deus. Rezo para que os jovens e os adultos não esqueçam isso.
Antonio Marcos 

2 comentários:

  1. AM
    Sem dúvida nenhuma o texto é de uma riqueza espetacular.Me lembrei do "Filho de Deus Menino Meu".Não conhecia esse ícone, o que os olhos em comum quer dizer?

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