2011-02-27

Há também os que nada esperam de Deus

Há os que esperam tudo de Deus, chuva ou bom tempo, bom resultado nos exames ou o sucesso nos negócios. Rezam para obter dele alguma coisa, e o esperam tranquilamente. É um conceito errado de confiança. Não servem a Deus, mas se servem dele.

Há também os que nada esperam de Deus. Creem que a confiança em Deus seja impedimento ao progresso do homem. Descrevemos aqui uma página que se pode definir de “anti-evangelho”, que leva a penetrar mais profundamente na riqueza de perspectiva da página evangélica:

“Crer! Para que crer? Vós, cristãos, esperais de Deus coisas que nós já conhecemos e de que vivemos sem ele. Outrora, quando tudo ia mal: guerras, cataclismos, doenças, insucessos, lutas, as pessoas se revoltavam e se lançavam contra Deus. Mas, mesmo blasfemando, reconheciam sua divindade... Hoje, Deus não pode mais enganar-nos, não se espera mais nada dele... Deus não é mais que uma ideia inútil...”

Durante 2000 mil anos os homens rezaram, e no entanto tiveram que ganhar um pão insuficiente, com o suor de seu rosto. [Rezaram, e encontraram muitas vezes o desprezo dos poderosos pelos mais frágeis. Encontraram a miséria. Hoje os homens continuam a cuidar de seus interesses, mas afirmam que podem ainda resolver todas as necessidades da existência humana sem Deus]. A ideia de Deus é uma muralha que oculta o homem”.

Confiança plena em Deus, mas não passiva

O cristão, apoiado nas palavras de Jesus, evita a concepção ingênua e mágica dos que confiam em Deus passivamente e nos quietismo, e também a pretensão orgulhosa do ateu que risca o nome de Deus do seu horizonte. A confiança do cristão em Deus é total e sem reservas, mas não passiva e alienante. Pelo contrário, desta confiança precisamente nasce sua atividade, porque sabe que seu trabalho é continuação da obra criadora de Deus. É colaborador de Deus e, como ele, “construtor para a eternidade”. “Por isso, trabalha como se tudo dependesse de seu trabalho, e confia em Deus como se tudo dependesse de sua intervenção”.

Fonte: Missal Dominical – Comentários introdutórios o 8º Domingo TC (A), Comissão Episcopal de Textos Litúrgicos (CETEL).

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