2011-02-21

A existência de Deus


Em 2006 em sua emotiva visita ao campo de concentração de Auschwitz, sua santidade, o papa Bento XVl exclamou: “Por que, Deus, o Senhor permaneceu em silêncio? Como pode tolerar tudo isso? Onde estava Deus naqueles dias? Por que ficou em silêncio? Como pode permitir massacre sem fim, esse triunfo do mal?” A compreensível angústia do papa e a linguagem metafórica usada resultaram numa avalanche de artigos no mundo inteiro abordando “o silêncio de Deus”, “a existência do mal no mundo” e até “dúvidas sobre a existência de Deus”.
Aqui no Brasil, há tempo uma parcela da população está perdendo o sentido de Deus. Muitos negam sua existência. Os meios de comunicação noticiam crimes, assaltos, estupros, abusos sexuais, sequestros, assassinatos etc., numa escala sem precedentes. Acredito que muitos dos que se entregam à vida de crimes e violências são movidos pela injusta distribuição dos bens, que provoca fome e miséria, pela disseminação do narcotráfico etc. Obviamente, há também quadros patológicos motivadores de crimes brutais e hediondos. Todavia, não se pode deixar de mencionar um fator, ainda mais profundo ou decisivo para explicar a onda de crimes e violências aqui no Brasil e no mundo.
É o filósofo francês Jean-Paul Sartre quem aponta tal fator mediante o seguinte raciocínio exposto em “L’Existentialisme est um humanisme?” (O Existencialismo é um humanismo?), em 1948. Os pensadores positivistas, no século passado, declararam a não-existência de Deus. Não obstante, estimularam a ética rigorosa do respeito ao semelhante, da prática da honestidade, da sinceridade, da veracidade. Observa Sartre: “tal posição é insustentável; porque se Deus não existe, não há autoridade habilitada a me impor tal ou tal comportamento. Dostoievski, que dizia: “Se Deus não existe tudo é permitido”. Sartre julga que a posição de Dostoievski é mais lógica do que a dos positivistas, e adota-a como sua. Querer defender uma ética normativa sem Deus, ou seja, baseada unicamente nos valores humanos, parece a Sartre artificial e inconsistente. A escola estruturalista mais recente comprovou esta conclusão; na verdade a “morte de Deus” acarretou a “morte do homem”. Com efeito, como salvaguardar o que há de respeitável, de intocável ou de sagrado no homem, se Deus não existe? Com efeito, em nome de quem um homem, igual a mim, pode impor-me normas às quais eu devo obedecer reverentemente?” Sartre cita então o pensador russo
A grande pergunta que o homem contemporâneo formula a si é sobre o sentido da vida. Não há quem não procure uma justificativa para o trabalho, para a luta e para todo sofrimento que afeta nossas vidas. É exatamente a existência de Deus que fundamenta o valor do ser humano e explica os objetivos e a finalidade da vida.Negar a existência de Deus, como muitos fazem hoje em dia, é obrigar o homem a criar novos ídolos e novas místicas. O dinheiro e o “ter” são alguns dos novos ídolos e nosso tempo. O esoterismo e as inúmeras seitas que aparecem diariamente são exemplos das novas místicas. Ensinar novamente a “Lei de Cristo”, que é uma lei de amor, de perdão, de respeito mútuo, de compreensão, de solidariedade e de diálogo, talvez produzisse melhores resultados contra o mal em nossos dias. Deus existe e está presente e atuante no mundo, só nos falta aplicar seu mandamento maior: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”. Houve quem considerasse Deus como, rival do homem ou um produto imaginário da mente do homem ignorante e amedrontado. Tais pensadores realmente nunca descobriram Deus, e escreveram tão somente na base de caricaturas e deformações dos conceitos de Deus e de religião. A existência de Deus é que leva cada um a respeitar o seu semelhante, ainda que isto lhe custe autodisciplina ou até grande renúncia. Somos todos filhos e filhas do mesmo Pai.
Autor e Fonte: Brendan Coleman Mc Donald, é padre redentorista e professor doutor titular aposentado da UFC – Publicado no jornal O Povo (Espiritualidade), Fortaleza, 20 de janeiro de 2011.  (Os grifos do Texto são meus)

Um comentário:

  1. Como aprendo e medito os texto de seu blog Antonio. Esses questionamentos do Papa, nada mais são do que o anseio humano de conhecer sempre mais a Deus. Chega uma hora que por mais que acreditemos queremos de fato ver a intervenção de Deus neste mundo. O silencio do Pai, daquele que nos dá o livre arbitrio para fazermos nossas escolhas, que nos observa em sua onipresença e que provou-nos seu amor enviando a nós Seu único filho que nos deixou o mandamento de amar ao próximo como a nós mesmo, espera pela parte que cabe a cada um de nós que é o respeito pelo nosso irmão. Como diz um texto que li no site do Padre Zezinho: Está faltando é Amor.

    Grata por sua missão evangelizadora através deste meio de comunicação. Divulguemos até os confins da Terra...

    ResponderExcluir