2011-02-20

Dois abismos numa manhã de Domingo


A Antífona de Entrada do 7º Domingo TC nos convida a cantar a misericórdia de Deus: “Confiei, Senhor, na vossa misericórdia; meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez”. A melodia ungida tem sempre a força de nos fazer manifestar uma alegria interior, é o que acontece com a canção “Belíssimo Esposo” da Comunidade Católica Shalom, por traduzir sempre ao meu coração essa experiência da Paixão de Cristo, da sua Morte e, sobretudo, da Ressurreição.
“Beijo os lençóis que envolveram o Teu corpo ferido de Amor e cobriram meu coração. Revestiram-me de realeza. Beijo o Teu santo sepulcro, testemunha da Ressurreição, quero ressuscitar também, encerrar-me dentro de Ti. Quero em Ti mergulhar e então renascer na tua chaga criadora, descansar a minha alma em Teu coração!”
O beijo de Maria, a primeira redimida, o beijo das mulheres naquela manhã de Domingo, o beijo dos discípulos no cenáculo e o beijo de cada pecador salvo pela misericórdia de Deus, expressam assim a intimidade, a proximidade dos “dois abismos”, a imensa alegria da visita daquele que disse que estaria ausente por pouco tempo, mas que em breve voltaríamos a vê-Lo e ninguém roubaria de nós essa alegria (cf. Jo 16, 21-23).
Cada manhã de Domingo eu contemplo o meu abismo como pecador mais perto do abismo da misericórdia de Deus, por isso não encontro outro sinal se não este: o beijo a Jesus. Com o mesmo gesto que eu o traí, Ele deseja que agora eu o expresse como símbolo da intimidade, da reconciliação e da salvação. O beijo do pecador na fonte da misericórdia, o mistério de dois abismos que uma canção não pode conter plenamente, mas que renova a incomparável gratidão pelo bem que me fez.
Antonio Marcos

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