2011-02-21

Castidade: o verdadeiro caminho para a felicidade!


Não se pode compreender a castidade senão em relação com a virtude do amor (da pessoa). Tem como missão a de libertar o amor da atitude de prazer. Tal atitude resulta não tanto da sensualidade ou da concupiscência do corpo quanto ao subjetivismo dos valores, que se enraíza na vontade e cria diretamente condições propícias ao desenvolvimento de diversos egoísmos (egoísmo dos sentimentos, egoísmos dos sentidos). Estas são as disposições para o amor “culpado”, ou seja, de quando a pessoa recusa subordinar o sentimento à pessoa e ao amor. O “amor culpado” muitas vezes está cheio de sentimentos que substituem todo o resto.
A virtude da castidade, cuja tarefa consiste em libertar o amor desta atitude, deve dominar não só a sensualidade e a concupiscência do corpo, mas também, e ainda mais, a dos centros internos do homem, nos quais nasce e se desenvolve a atitude do prazer. Para chegar à castidade é indispensável vencer na vontade todas as formas de subjetivismo e todos os egoísmos que elas escondem: quanto mais disfarçada está a atitude de prazer na vontade, tanto mais perigosa é; o “amor culpado” raramente é chamado culpado; chamando-lhe “amor” simplesmente, a fim de impor (a si e aos outros) a convicção de que é assim e não pode ser doutra maneira.
Ser casto, ser puro, significa ter uma atitude “transparente” a respeito da pessoa de sexo diferente. A castidade é a “transparência” da interioridade, sem a qual o amor não é amor, e não pode sê-lo até que o desejo de gozar não esteja subordinado à disposição para amar em todas as circunstâncias.
Não é preciso que esta transparência da atitude a respeito da pessoa de sexo oposto consista em repelir para o subconsciente os valores do corpo ou do sexo em geral, ou em fazer crer que não existem ou são inoperantes. Muitas vezes interpreta-se a castidade como um freio cego da sensualidade e dos impulsos carnais, que repele os valores do corpo e do sexo para o subconsciente, onde esperam a ocasião para explodir. É uma falsa concepção da virtude da castidade. Se é praticada deste modo, a castidade cria realmente o perigo de semelhante “explosões”.
Por causa desta opinião (que é falsa), pensa-se muitas vezes, que a virtude da castidade tem um caráter puramente negativo, e que não é mais que uma série de “nãos”. Pelo contrário, ela é um “sim”, do qual a seguir resultam os “nãos”. O desenvolvimento insuficiente da castidade traduz-se no fato de tardar aos valores do sexo, que apoderando-se da vontade, deformam a atitude a respeito da pessoa de sexo oposto. A essência da castidade consiste em não se deixar “distanciar” do valor da pessoa e em elevar ao seu nível toda a reação aos valores do corpo da pessoa só pode ser fruto do espírito. 
(...) O laço entre a castidade e o amor resulta da norma personalista que contém dois mandamentos relativos à pessoa: um positivo (“tu amarás”) e o outro negativo (“não buscarás só o prazer”). Mas os seres humanos – os homens aliás dum modo diferente do das mulheres – devem crescer interiormente para chegar a este amor puro, devem amadurecer para poder apreciar o seu “sabor”. Porque todo o homem marcado pela concupiscência do corpo é inclinado a encontrar o “sabor” do amor sobretudo na satisfação da concupiscência.
Por esta razão, a castidade é uma virtude difícil, e cuja aquisição exige tempo; é preciso esperar os seus frutos e a alegria de amar que ela não deixará de trazer. Mas é o verdadeiro caminho, o infalível, para a felicidade.    
Autor e Fonte: Karol Woityla, quando era Bispo. (Veio a tornar-se sua santidade, João Paulo II). Amor e Responsabilidade (Moral sexual e vida interpessoal), 10ª edição, 1979. (Os grifos do Texto são meus).   

3 comentários:

  1. Ser casto no namoro é difícil, mas no matrimônio parece que a dificuldade aumenta.
    Imagino que seja apenas impressão,mas o compromisso sacramental faz com que qualquer deslize, como um simples pensamento, seja muito mais doloroso em nós mesmos.

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  2. Meu irmão em Cristo, Ângelo Bicca, saudações de paz!

    Gratidão por você passar nessas páginas e por sua colaboração. A castidade tem seu preço porque a nossa liberdade é mais preciosa que ela. Bonito e atrativo ver o Papa falando do sentido da castidade numa perspectiva muito próxima do homem, ou seja, responsabilizando-o pela necessidade de crescer na virtude, nas decisões, nas atitudes..., evidentemente, bem se sabe, isso não acontece sem o auxílio da graça. Por outro lado, belo é ver o Papa nos recordando que a castidade tem o seu "sim" e o seu "não". Não penso que seja o matrimônio ocasião de maior dificuldade para a castidade, nem mesmo para os que estão ainda sem casar ou que "escolheram" não casar por algum motivo justo, mas, penso que a dificuldade da castidade está naquilo que fala o papa: "de quando o sentimento não é submetido à pessoa e ao amor". Ou seja, vivermos o Amor sincero e transparente, aquele que é capaz de amar em "qualquer circunstãncia", como solteiro, casado ou celibatário; sendo esposo, padre ou um jovem que quer viver esse amor. Em cada realidade, em cada condição e "estado de vida" têm suas dificuldades, mas as alegrias e o gozo serão superiores se "estivermos encontrados", se assumirmos o compromisso do amor de cada dia, que recomeça cada dia, nas nossas opções, assumindo na verdade o OUTRO, que é DEUS, e o OUTRO: minha namorada, minha noiva, minha esposa. Isso não é poesia, texto teológico, filosófico, conto, mas é a proposta do Evangelho para os que acreditam que amar e ser santo é possível. O compromisso sacramental não é uma "masmorra", mas um selo divino, uma proteção, uma celebração, um testemunho, uma aliança de amor, uma "amizade" selada com o outro, na benção da Igreja, Mãe e Mestra. Os "deslizes e pensamentos" fazem parte da condição e fraqueza humana, o que não significa que estamos "autorizados a pecar". Lembra da liberdade de que falei no início? Pois é, mas, mesmo conscientes da verdade, somos falhos. Não devemos reduzir tudo ao simples medo de "um simples pensamento". Nossa meta é Deus e o compromisso com aquele (aquela) a quem confiamos o nosso amor. Quando estamos focados, a possibilidade do "deslize" diminui, mas não está isenta, porém, não nos perdemos, muito menos nos autocondenamos se estamos em Deus. Doloroso mesmo não é "errar" - desde que não seja de modo inconsequente e irresponsável, banalizando o amor de Deus e do outro -, mas, quando nos acostumamos em viver um amor mesquinho. Para tudo Deus concede a Graça. A castidade é sim, possível, graças a Deus e ao nossos esforços. Assim creio!

    Muito obrigado, meu caro irmão! Seu pequeno comentário me ajudou nessa reflexão que espero ser útil para você ou para outra pessoa. Com minhas orações, Antonio Marcos.

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  3. Creio também assim. Penso que o homem é responsavel por suas escolhas. Claro que tendemos a errar, mas dar-se ao erro de graça é a pura banalização do sentimento maior, o Amor. Falaram-me que Amor conservador e progressista não existe, eu discordo disso, penso que o amor que não sabe se conservar nem se conter, no fundo acaba na limitação do egoísmo próprio, sempre vai se querer mais, exigir mais...e assim não irá progredir. O progresso é quando aprendemos que o Amor não é bobo, nem marionete, muito menos objeto...

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