2011-01-08

Quero conhecer a Deus e a alma!


A convivência não tão prolongada com um jovem rapaz ou uma jovem moça nos faz perceber um pouco do que se passa em sua mente, nos faz identificar seus valores e captarmos seus sonhos e a visão de mundo que os contorna. Não falo aqui dos projetos profissionais simplesmente, por mais admiráveis que possam ser, como também não falo do grau de QI, da facilidade com que os jovens manipulam o conhecimento acadêmico ou mesmo a facilidade em lhe dar com as realidades cotidianas de nossa geração, tais como a tecnologia, a capacidade de se reinventarem para fugir do anonimato e a gama de relações via redes sociais. Falo, na verdade, daquele velho axioma grego: “Conhece-te a ti mesmo!”
Conhecimento de si mesmo! A espiritualidade monacal e do deserto fizeram chegar até nós essa riqueza e necessidade, só que numa perspectiva superior, a fé em Deus e o parâmetro do Evangelho. É concreta e inegável essa necessidade que tem o homem de se unir ao Deus Criador de todas as coisas, ao Deus que modelou o homem e colocou nele a sede de felicidade e a inquietude para a procura pela verdade, onde tal verdade não é o homem em si mesmo. O velho axioma de Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas...”, também axioma dos tantos iluminismos vividos até hoje, não tem como se sustentar sem que haja manobras ideológicas e certa indiferença às perguntas fundamentais que brotam do coração do homem: quem sou eu? Qual o sentido de minha vida?
O jovem intelectual Agostinho de Hipona, na sua Obra Solilóquios, permite que sua razão pergunte ao coração: Que queres conhecer? “Quero conhecer a Deus e a alma”.Em outras palavras, o maior desejo de Agostinho era conhecer a Deus e a si mesmo, como assim se empenharam o jovem Francisco de Assis, os místicos do Carmelo e os santos canonizados e “anônimos”. Porém, esta é mesmo uma das tarefas mais difíceis no exercício da missão do homem, especialmente em tempos como os nossos onde tudo favorece a dispersão, a ilusão, a caricatura e os enganos de falsas felicidades e prazeres. “Ó homens, até onde ireis no desprezo da minha glória, no amor ao vazio e na busca da mentira?” (Sl 4, 3). “Penso na tua palavra: ‘Procura minha face!’ É tua face, senhor, que eu procuro! (Sl 27,8)”.
Antonio Marcos

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