Nossas crianças: devolvê-las a inocência e a alegria!

Escrito Por Antonio Marcos na quarta-feira, janeiro 19, 2011 Sem Comentários
Dentro da temática dos Direitos das Crianças, refletido pelo Pontifício Conselho para a Família (Lexicon, CNBB, 2007), indispensável, sem dúvida, é o direito de devolver às crianças sua alegria. Diz o texto: “Devemos assumir uma tarefa difícil mas estimulante, qual seja, de devolver à criança o que melhor a caracteriza: a sua inocência e a sua alegria, a sua percepção ingênua do mundo e a sua capacidade de alegrar-se com a beleza que deste emana”. 

Lamentavelmente temos visto na televisão e na internet, especialmente no Brasil, a exploração sutil das crianças em publicidades referentes aos mais diversos interesses comerciais. Até mesmo de caráter sensual, o que constitui crime. Temos visto crianças exploradas pela moda e usadas em nome da descoberta do talento para simplesmente machucar sua inocência e roubar delas o direito de viverem a infância com alegria, na inocência e na liberdade própria do mundo infantil. Diz o Pontifício Conselho: “Isso faz das crianças escravas de desejos artificiais, exatamente por causa da evasão do real”.

Uma parcela significativa dessa responsabilidade é dirigida aos pais, seja pelos diversos fatores que comprometem a educação dos filhos, seja pela omissão dos mesmos nesse processo. Poderíamos falar de muitas consequências visíveis no contexto predominante, mas nos limitamos a evidenciar a falta de alegria espontânea em nossas crianças. Muitas delas precisam dos jogos modernos da internet, na sua maioria incentivadores da violência, para gozarem de uma alegria, por sua vez, irreal. A imagem que costumávamos ver dos pais brincando com os filhos parecem cair no desuso. Não somos contrários à modernidade e ao que favorece o crescimento humano e intelectual de nossas crianças, mas é bem verdade que temos saudade dos “carrinhos e bonecas!” Claro, esta é apenas uma metáfora para se falar do que favorecia a relação entre pais e filhos.

Não queremos que nossas crianças se desiludam da infância e venham a se tornar tristes, e que muito cedo comecem a frequentar os consultórios para receberem terapia para suas tristezas, seus desejos de suicídio, seus medos da vida, medo de crescerem e de amarem. Acreditamos poder devolver e cultivar a inocência e a alegria de nossas crianças exatamente com o abraço, o carinho, o elogio, a correção no diálogo, a presença comprometida e ofertada, o estímulo em seus aprendizados, o apoio confiante na hora dos erros e, sobretudo, o testemunho dos valores cristãos, afinal, “delas é o Reino de Deus, e aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele” (cf. Mc 10, 13-16).

Antonio Marcos
Imagem: Mãe e filha: Valéria Morais e Heloísa, amigas de Vitória da Conquista, Bahia.