Não é vergonhoso sofrer, vergonhoso e desesperador é não ter Deus na hora da dor

Escrito Por Antonio Marcos na terça-feira, janeiro 18, 2011 Sem Comentários

A notícia de que o saudoso papa João Paulo II tornar-se-á bem-aventurado, ou seja, será beatificado no dia 1º de maio, pelo seu amigo e sucessor Papa Bento XVI, exatamente no 2º Domingo da Páscoa, instituído por ele como o “Domingo da Misericórdia”, a partir da sua devoção ao Coração Misericordioso de Jesus, segundo os escritos da Ir. Maria Faustina (cf. Diário, 49), é de uma graça sem limite, de uma providência e alegria sem proporções para todo o povo de Deus. Ele mesmo escreveu no seu último livro: “o limite imposto ao mal é definitivamente a divina misericórdia" (Memória e identidade, pág. 70). Sua beatificação, certamente, marcará a vida da Igreja, assim como o foi o seu pontificado e a sua morte, no dia 02 de maio de 2005.
Naquela ocasião, Domingo de Páscoa da Igreja, lembramos bem do momento em que João Paulo II, em meio ao sofrimento de sua doença, dera aos fiéis da janela do palácio apostólico, a última benção “urbi et orbi" (à cidade [de Roma] e ao mundo), cena que comoveu o mundo por sua determinação e coragem por não esconder suas dores, mas ainda assim não queríamos acreditar que estava perto a despedida de um dos mais queridos papas da história. Acerca do seu sofrimento a imprensa falou de um papa fracassado, de um pontificado em declínio, mas a fé das pessoas falou de santidade, de um gesto bonito, de um homem que deu exemplo do que nos ensinou acerca da dor e da coragem de envelhecer e morrer com dignidade, confiantes em Deus. Não é vergonhoso sofrer e mostrar a dor, vergonhoso e desesperador é não ter Deus na hora da dor.
Segundo o testemunho de alguns amigos íntimos de João Paulo II, prelados da Cúria Romana e médicos que estavam com ele nos aposentos do Palácio Pontifício nos instantes finais que antecederam sua páscoa, quando informado de que uma multidão, na sua maioria constituída por jovens, estava na Praça de São Pedro em vigília de oração por ele, teria dito no seu jeito espontâneo e alegre de ser: “Eu fui até eles; hoje eles vêm até mim, obrigado!” Na sua missa de corpo presente, presidida pelo Cardeal Ratzinger na presença de centenas de autoridades e de milhares de pessoas que invadiram Roma para se despedir do Papa Karol Woityla, o mundo pôde ouvir o brado já esperado: “Santo subito!”, Santo Já!” A beatificação de João Paulo II é a certeza de que a verdadeira união com Cristo desemboca na santidade de vida. Somente esta amizade pode transformar nossas mazelas em luzeiros seguros para os homens de nossos dias, especialmente para os que não reconhecem a dimensão redentora da cruz de Cristo em suas vidas.
Antonio Marcos