2011-01-25

Não é um discurso...


Belas e consoladoras as palavras do santo padre, Bento XVI, na Exortação Verbum Domini (cf. 21), quando nos faz compreender que o “silêncio de Deus” no mistério da cruz de Cristo é também uma linguagem de salvação. Afirma: “Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio (...). Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio. Portanto, na dinâmica da revelação cristã, o silêncio aparece como uma expressão importante da palavra de Deus”.
Quando julgamos que “as palavras divinas se calaram” para nós, bem sabemos, quase sempre exigimos que o Senhor justifique seu silêncio, faça-nos discursos, console-nos com “uma palavra”, dê sinal de que não nos abandonou. Esquecemos rápido a dinâmica e a sabedoria do agricultor que, ao plantar, sabe esperar confiante o ressurgir da vida. Para ele não é mais importante entender o mistério do silêncio com o qual Deus gosta de agir, importa crer que a vida ressurgirá depois da noite da esperança, depois do descanso da semente na terra. Assim nos confirma a própria Palavra de Deus: “Não é um discurso, não há palavras, não se lhes ouve a voz; e por toda a terra sua harmonia se estende e sua linguagem vai às extremidades do mundo” (Sl 19/18, 4-5).
Não é um discurso! É a “misteriosa ação de Deus” (cf. Jz 13,19) que desfaz os planos humanos, que contraria os barulhos e impaciências de nossa vida, que não permite nunca que os planos humanos vençam Seus desígnios, porque são eles a nossa felicidade e Deus não abre mão da nossa felicidade. Ainda quando a nossa liberdade pareça “fazer fracassar a ação de Deus”, na verdade, é sua misericórdia que está a se utilizar de nossas fraquezas para nos atrair outra vez para a luz da Sua salvação. Não é um discurso! É mistério de cruz, é amor ao extremo, é bondade de quem nunca desiste de nós. Não é um discurso! É Deus salvando mesmo quando tudo pareça ser apenas uma sexta-feira santa.
Antonio Marcos 

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