João Paulo II foi um santo de nossos dias!

Escrito Por Antonio Marcos na terça-feira, janeiro 18, 2011 Sem Comentários

Recordo as palavras de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, no prefácio do livro “Testemunhas da Esperança”, do Cardeal Van Thuan: “O papa João Paulo II demonstrou, com numerosas beatificações, que, também nesses últimos tempos e em nossos dias, Deus continua santificando homens e mulheres que vivem a configuração heróica a Jesus Cristo”. Tal afirmação comprova o que a Igreja e o mundo testemunharam ao longo dos quase 27 anos de pontificado, no decorrer dos quais o papa Woityla canonizou, surpreendentemente, homens simples, jovens e pais de família, porque se uniram a Cristo na vivência sincera e coerente do seu Batismo.
O ensinamento do Concílio Vaticano II acerca da santidade tomou um rosto no pontificado de João Paulo II: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4,3; cf. Ef 1,4). (...) Todos os fiéis santificar-se-ão dia a dia, sempre mais, nas diversas condições da sua vida, nas suas ocupações e circunstâncias, e precisamente através de todas estas coisas, desde que as recebam com fé, das mãos do Pai celeste, e cooperem com a vontade divina, manifestando a todos, no próprio serviço temporal, a caridade com que Deus amou o mundo” (LG,39.41). Existe algo mais belo do que este conceito de santidade? Certamente não! A santidade de vida se dá no dia a dia, nas nossas ocupações e labutas, mas o essencial precisa estar presente: a fé e a caridade! Uma não pode estar dissociada da outra. Caridade apenas por virtude pode não suportar a cruz, pode não chegar a “amar os difíceis”. Caridade provinda da fé, purifica e autentica as obras e nos leva além da cruz, gera ressurreição, isto é santidade. Lembro-me agora do papa João Paulo II perdoando e abraçando aquele que tentou matá-lo com um projétil. A santidade gera ressurreição na minha e na vida dos outros!
A santidade para João Paulo II não era algo distante, inatingível, proposta para alguns poucos, mas, ao contrário, era algo palpável em qualquer existência que se deixasse alcançar por Cristo, seu amor e misericórdia. Deu de início, na sua primeira Encíclica, “Redentor do Homem” (04 de março de 1979), o segredo do que seria o seu pontificado e sua visão do homem: “Não tenhais medo! Escancarem as portas do vosso coração para Cristo!” E diria ainda, citando o Concílio: “Só Cristo revela o homem ao próprio homem!” É isso, quando encontramos a Cristo e fazemos a experiência de amor com a sua Pessoa, somos, de fato, inseridos no processo de santidade porque, - afirma Dom Walmor Oliveira -, “crer, de verdade, é tender para a santidade. E a santidade é uma reconstrução de si, é a condição de possibilidade de ser feliz, é a humanização mais plena e completa da pessoa” (Rev. Communio, Vol. 22-N. 1 – 2004, p. 49).
João Paulo II foi um santo de nossos dias, que tantas vezes disse a cada jovem, a cada homem: “Tu te tornas aquilo que contemplas!” Ele contemplou a Cristo nos homens, nos pobres, nos menos favorecidos, nos povos distantes, nos amigos, nas famílias, nos que, inclusive, perseguiam-no e ainda nos que buscavam a Cristo sem saber que o procuravam. Seu conceito de santidade é radicalmente possível para cada um de nós: “Precisamos de santos modernos, que usam calça jeans, que gostam de sanduíche; santos com uma espiritualidade inserida em nosso tempo”. Nossos olhos agora contemplam o fruto do que operou a graça de Deus naquele que tinha tudo para dar errado, mas, ao encontrar o segredo da vida, Jesus Cristo, abriu-Lhe as portas do seu coração, destemidamente. Conceda-nos, Senhor, a graça de assumir o nosso Batismo com alegria e radicalidade no dia a dia de nossa existência.
Antonio Marcos