2011-01-08

Essa é a minha alegria e ela é completa!


Em dias tão competitivos como os nossos, seja qual for o ambiente, inclusive na família e na igreja, no nosso grupinho e comunidade, infelizmente, não poucas vezes somos tentados a puxar para nós o centro das atenções ou a nos tornarmos escravos da necessidade de reconhecimentos e elogios. É fato concreto que clérigos, leigos e fieis chegam a adoecer pela inveja e disputas para se ter em torno de si os que favorecem o nosso ego. Não é fácil o anonimato, nem tão pouco a fama desprendida, como não é fácil o esvaziamento de si e o exercício do crescer na virtude da humildade, sem deixar de fazer a parte que nos compete como filhos de Deus, como pessoas humanas.    
Os discípulos de João Batista interrogam-lhe acerca do fato de que Aquele de quem falou no rio Jordão também está batizando e muitos acorrem a ele (cf. Jo 3,22-30). A resposta de João é sábia, porque brota do coração que reconhece que é um servidor e não o proprietário da Obra de Deus. O profeta sabe que seus dons foram dados do alto para o serviço, para o anúncio de Jesus, não para a vaidade pessoal: “Um homem nada pode receber a não ser que lhe tenha sido dado do céu” (v. 27; cf. também ICor 4,7; Tg 1,17). E completa: “Não sou eu o Cristo, mas sou o enviado adiante dele” (v. 28). No contexto bíblico Israel seria a esposa e Jesus o esposo; João se considera o amigo do esposo, e esta é a sua alegria! (cf. v.29).
A nós cabe a amizade com Jesus, que é o modelo ideal de testemunho para os homens, e não o desejo de ser isso e aquilo para simplesmente ter o poder e o reconhecimento pessoal. Quantos vivem em nossos ambientes religiosos como juízes implacáveis e como autoridades opressoras, não servindo de fato na caridade e no desejo sincero de levar o outro para Deus. Bem dizia o teólogo Karl Rahner: “Nos tempos que são os nossos as pessoas querem olhar e seguir não quem manda, mas quem reza, quem índica o caminho para Deus e sabe viver a exemplo de João Batista: “É necessário que ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). Concede-nos, Senhor, esta graça, e nossa alegria será completa!
Antonio Marcos

0 comentários:

Postar um comentário