2011-01-08

Deus tem seus caminhos, seus planos...


Alguns católicos que vão à Europa costumam testemunhar a dor de terem observado que, em alguns lugares, as igrejas estão sendo fechadas, porque já não há mais fieis que as frequentem, consequentemente encontrar a celebração da Santa Missa, especialmente durante os dias semanais, tornou-se um grande desafio. Quando os templos são abertos, apenas servem para a visita turística. É verdade que tem chegado até nós, por meio da mídia, informações e dados das igrejas vendidas e outras tantas postas à venda, devendo servir a fins profanos.
O fenômeno do secularismo tem arrasado os países berços do Cristianismo e isso preocupa a muita gente. Este desafio, juntamente com o cientificismo e o racionalismo foram os temas abordados pelo Pe. Cantalamessa, pregador da casa Pontifícia, por ocasião das suas pregações no Advento de 2010. A perspectiva de suas abordagens é exatamente nos dar direcionamentos para a evangelização, visto que as consequências desses fenômenos estão às vistas e continuam se alastrando.
A Igreja, como mãe prudente, sabe identificar bem tais contextos e não os considera motivo para grandes alardes, muito menos os enquadra em profecias apocalípticas e milenarismos, porque sabe que as raízes estão no catolicismo apenas de batismo, nominal como se diz. Observa-se em grande porção da sociedade a postura de se viver a fé numa dimensão mais pessoal, fruto de um Deus feito aos caprichos pessoais, uma fé destituída da eclesialidade, da comunidade, rejeitando assim o Deus anunciado pela Igreja que, segundo eles, trata-se de um Deus duro demais, proibitivo, normativo e castigador.
O Cristianismo e a Igreja Católica são dons de Deus, não fruto da manipulação histórica e da ideologia, ainda que se tenha que reconhecer suas sombras de percurso e a fraqueza de seus filhos. O estado de nossas igrejas na Europa (e não somente lá, mas também na América Latina e no Brasil) e os desafios de que tratou o Pe. Cantalamessa são vertentes da história e o que se tem que fazer é mesmo evangelizar pela palavra e pelo testemunho de vida. Quando nós decidimos ir à Missa por amor e por desejo, lá vivemos o mistério e saímos melhor de quando entramos, eis o mais radical antídoto para os que fazem alarde com o secularismo.
 Há poucos dias celebramos a festa da Epifania do Senhor e vimos os magos que contemplaram o menino e Lhe ofereceram seus presentes, após serem avisados em sonho, retornarem para a sua terra por outro caminho (cf. Mt 2, 12). Deus tem seus desígnios, seus planos, mas quer contar com a docilidade e a coragem daqueles que escolhem outro caminho e não o mesmo que muitos dizem ser o melhor porque simplesmente é o caminho da moda. Certamente a falta da escuta de Deus faz com que o Menino chegue às mãos de Herodes, como também nos rouba a coragem da evangelização, mas Deus é fiel, não deixará sucumbir a Sua Igreja e o testemunho dos que preferem falar de Jesus a contabilizar o número de igrejas vendidas e vazias.
Antonio Marcos    

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