A alegria da velhice quando unida ao Deus de toda beleza

Escrito Por Antonio Marcos na sábado, janeiro 22, 2011 1 comment

Muitos dizem que a velhice é o nosso último destino, a última das estações e nada mais se pode esperar além. Mas, pensava comigo: essa natureza não é capaz de transcender? Não tem mesmo uma saída? Nesse caso, Deus não seria tão impotente se pensarmos que tudo está mesmo destinado somente a nascer, viver e morrer? Que fato contrastante é pensarmos na velhice e na juventude! Daí que, ao olhar o idoso encurvado, com seus cabelos brancos, em sua consciência lúcida ou não, sua alegria e esperança na vida, para mim, sinceramente, já é uma das provas de que uma vida nova nos espera, uma prova de que Cristo ressurgiu da morte e que prepara uma morada para nós.
Nunca consegui admitir que a vida possa vir a terminar no túmulo, nem mesmo quando a fé era para mim algo estranho, adormecido e distante. Se nos admiramos com o tempo da juventude, é bom saber e crer que uma vida ressuscitada ultrapassará todos os nossos conceitos de beleza. E gosto de contemplar a Palavra de Deus falando dessa nova vida sempre na perspectiva não da estética, que será bela evidentemente, mas da alegria. E como isto é verdade ainda nesta existência! Uma vida feliz e alegre interiormente é capaz de irradiar beleza e denunciar a futilidade de uma busca doentia pela preservação da estética. Diz Jesus: “Eu vos verei de novo, o vosso coração então se alegrará e ninguém vos tirará vossa alegria” (Jo 16, 22). O Cenáculo confirma a alegria incomparável do encontro com o Ressuscitado: “Vendo o Senhor, os discípulos ficaram tomados de intensa alegria” (Jo 20,20).  
Creio firmemente que a velhice não se trata de doença e insignificância. Doença é mesmo a falta de abertura ao outro, o preconceito e a indiferença aos que viveram seus anos e hoje, ainda entre nós, podem nos ensinar que a felicidade não acaba quando o verdadeiro sentido da vida nos faz companhia. O sofrimento da enfermidade e a própria vulnerabilidade humana na velhice não podem ser confundidos com a falta de felicidade.
Concluo fazendo memória da alegria que transbordou no coração e na alma do velho Simeão quando seus olhos viram o Senhor: “Deixai, agora vosso servo ir em paz, conforme prometestes, ó Senhor. Pois meus olhos viram vossa salvação que preparaste ante a face das nações” (cf. Lc 2,29-31). Ajudai-nos, Senhor, a enxergar na velhice o tempo no qual a alegria e o sentido interior falam mais do que “a beleza da juventude”. E tudo faz celebra as vésperas da alegria definitiva, da beleza incomparável de sermos revestidos no Belo, que é Tu, Deus de toda beleza!   
Antonio Marcos