2011-01-25

Agora não é o momento...


Recentemente tive a alegria de concluir a leitura do clássico da literatura mundial: “O Velho e o Mar”, obra de 1951 (Escritor e jornalista americano Ernest Hemingway, 1899-1961), considerado pela crítica como “monumento literário de eterna perfeição”.  Mesmo nas minhas limitações de compreensão escreveria outro livro somente a comentar a riqueza de significado deste enredo literário. O fio de linha mantém o velho preso ao peixe fisgado e a luta perseverante para que não se vá, são mesmo uma porta aberta para uma hermenêutica da vida, dos sonhos, dos pensamentos e da luta pela sobrevivência humana neste mundo de tantos desafios, de conquistas e fracassos. Impossível não nos identificarmos no contexto desta maravilhosa obra.
Depois de dias a lutar com o “seu peixe” e já estando de volta à Costa trazendo-o atrelado junto ao barco, o velho tem de lutar contra os tubarões que atacam a grande e favorável isca. Após um desses ataques, conversa o velho consigo mesmo e com o seu peixe: “Não devia ter vindo tanto para o largo, peixe – falou o velho. – Nem você nem eu. Desculpe-me, peixe. ‘Agora, meu velho’, disse em pensamento ‘examine a corda em torno da faca e veja se está cortada. Depois cuide das mãos porque ainda hão de vir outros.’ - Gostaria de ter uma pedra para afiar a faca – disse o velho depois de examinar os nós da ponta do remo. – Devia ter trazido uma pedra. ‘Sim, você devia ter trazido muitas coisas’, pensou. ‘Mas não trouxe, velho. Agora não é o momento de pensar naquilo que você não tem. Pense antes no que pode fazer com aquilo que tem’.”
Debruçarmo-nos em nossas “perdas e ausências” e lamentá-las parece ser uma tendência humana que pode acabar asfixiando em nós a esperança, a fé e a motivação para novas buscas e recomeços. Estar nesse contexto pede, necessariamente, uma “ressignificação do que não se tem” e a “capacidade criativa para com aquilo que se tem”. Mas, não poderia deixar de lembrar o diálogo de outro pescador: “Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas, porque mandas, lançarei as redes” (Lc 5, 5). Agora é o momento!
Antonio Marcos
Fonte:
Ernest Hemingway.O Velho e o Mar, 2009.

Um comentário:

  1. Nossa, gostei mesmo, vou procurar ler o livro. Achei super interessante. Nem sempre sabemos lidar com o que temos em mãos e perdemos, é importantissimo aprendermos a cuidar do que temos e não perder de vista nosso objetivo mesmo não tendo onde afiar. O que temos em mãos e em vista é o que faz a diferença e sabe disso que não larga o fio de sua linha...

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