Onde estás, meu filho?

Escrito Por Antonio Marcos na quarta-feira, dezembro 08, 2010 1 comment

 “O Senhor Deus chamou o homem: ‘onde estás?’ disse ele. ‘Ouvi teu passo no jardim,’ respondeu o homem; ‘tive medo porque estou nu, e me escondi’”(Gn 3,9-10). É tão profundo e dramático esse encontro do homem com Deus. Ao mesmo tempo, é belo e consolador ver Deus à procura do homem, ver o homem sendo achado por quem o ama de verdade. Não é Deus que está perdido, mas o homem.
O drama do pecado gera sempre em nós a nudez porque nos rouba as vestes da santidade, da pureza e da liberdade. O pecado nos esconde da face amorosa de Deus, daí que quase sempre nos justificamos de nossos erros, o senso de culpabilidade vai diminuindo e queremos, desesperadamente, encontrar as causas fora de nós, nas circunstâncias, na história de vida e nos outros. Gosto muito da oração penitencial quando batemos no peito e dizemos: “por minha culpa, minha tão grande culpa!” Não falo da “culpa doentia” que leva à desconfiança de Deus e à impiedade conosco, mas falo do encontro da consciência com aquela pergunta fundamental “onde estás, ó homem?” Esse encontro é necessário e salvífico porque a sedução do pecado não nos inocenta, precisamos do arrependimento e do desejo concreto por retornar. E o que nos faz retornar é a graça de Deus, a sua infinita misericórdia que nunca desiste de nos procurar.
Um outro drama e tentação para nós é o perigo do desespero quando pensamos que não há mais uma saída para o nosso pecado, que não veremos mais um horizonte e nem enxergaremos a luz. A saída nossa do pecado será sempre o reconhecimento da morte redentora de Cristo que venceu a morte e atualiza a salvação sempre que o acolhemos dentro de nós, mediante a fé. É a fé que nos leva a reconhecer e confessar o pecado, que nos leva ainda à esperança de que, em Deus, o homem é sempre capaz de recomeçar de novo, não importa o submundo em que ele fora envolvido. “Onde estás, meu filho? Não precisas fugir, pois não te trato como exigem tuas faltas!”
Antonio Marcos