2010-12-18

O teu desejo é a tua oração


Lendo os Santos Padres do deserto – para os quais a solidão é uma conditio sine qua non de uma oração contínua – chamou-me a atenção um episódio pouco conhecido, mas muito significativo.
Conta-se que, um dia, o grande Antão teve uma revelação surpreendente: “Na cidade existe alguém que é semelhante a você: é médico de profissão, doa o seu supérfluo aos necessitados e canta o triságio com os anjos o dia inteiro” (Antão, 1999, p. 88). Como é que este desconhecido médico da Tebaida conseguia praticar uma forma tão elevada de oração? Talvez Agostinho nos dê a chave de leitura por meio da seguinte afirmação: “O teu desejo é a tua oração; se contínuo é o teu desejo, contínua é a tua oração” (Santo Agostinho, [s.d], 37,14;PL 36,404).
Para Agostinho o desejo se identifica com a caridade, e a caridade leva as pessoas a fazerem o bem, de modo que uma maneira para fazer com que a oração seja contínua é fazer o bem – bene agere.
“Quem será capaz de repetir com a língua o dia inteiro os louvores do Senhor? [...] Quem poderá perseverar no louvor a Deus o dia todo? Se quiseres, eu te sugiro um meio com o qual poderás louvar a Deus o dia inteiro. Faze bem tudo aquilo que fazes: eis o meio para louvar sempre” (Santo Agostinho, 34, II, 16l; PL 36,341).
Fonte: Van Thuan, Cardeal. Testemunhas da Esperança (Em contínua oração), 2007.

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