2010-12-03

O amor requer doação, cultivo, purificação e celebração

Costumamos ouvir de algumas pessoas: “Nunca se casa com quem namora!” A afirmação está claríssima quando se trata das insatisfações quanto à convivência a dois em nossos dias, não é verdade? Diz respeito à confissão sincera de uma parcela significativa de cônjuges, especialmente mulheres, que reclamam machucadas pela decepção que “namoraram uma pessoa e, depois da convivência como casados, descobriram que haviam casado com outra”.

A velha questão das máscaras são sempre sombras, literalmente. No período do namoro pode acontecer que o medo de perder a pessoa, de sofrer a ruptura e ter que recomeçar tudo de novo e ainda a possibilidade de não se conseguir outro namorado ou de, sinceramente, não ter a garantia da estabilidade de vida econômica, tudo isso são desafios concretos. Apesar das exceções o que pesa mais, ao meu modo de ver, é mesmo o sentimento, pois, amar alguém e “ser amado” é algo que gera dependência, segurança, prazer, felicidade, renova os sonhos e, como dizem alguns, rejuvenesce até mesmo o corpo, ficamos cada dia mais jovens e bonitos quando vivemos um amor correspondido e sem impedimentos. No entanto, isto não significa que estamos nos conhecendo de fato, que estamos conseguindo ir além das aparências.

Usamos de máscaras, ou seja, simulamos aquilo que realmente não somos, por isso temos medo de nos mostrarmos na nossa verdade pelo medo de sermos rejeitados, descartados, ou assim nos submetemos quando temos interesses egoístas. E nem sempre podemos dizer que aquelas duas pessoas não conviveram, não conversaram, não falaram dos projetos pessoais e a dois, que não tiveram tensões, o que são fatores a serem observados, porém, não são suficientes para nos garantir que conhecemos o outro. Faz parte da condição humana essa capacidade de dissimulação e simulação. É verdade que tudo é muito rápido e também as relações de namoro são cada dia mais superficiais, não somente entre os jovens, mas entre pessoas adultas. Depois que casam, muitos dizem: “Fui ao altar com um e estou dormindo com outro”. São as personalidades que se mostram como realmente são, quando chega a cotidianidade da convivência a dois, quando se tem que viver como casados e não como jovens solteiros, quando se tem que aprender o que é tolerância, paciência, perdão, provas e cultivo do amor, dos gestos simples e pequenos que falam mais que as palavras, quando se tem que escolher aquela pessoa cada dia e descobrir na prática que o amor requer doação, cultivo, purificação e celebração.

O casamento é um projeto divino, uma dádiva, uma vocação, uma escola de vida e santidade, sobretudo, um caminho de realização e felicidade desejado por Deus, daí que vale sempre apena quando internalizamos esses valores. As relações que se perdem e caem na infelicidade precisam de um auxílio eficaz da compreensão e acolhida nossa, mais ainda da Igreja, como assim ela vem fazendo. As relações que fracassaram têm seus históricos, suas razões e seus enigmas, como precisam de uma outra oportunidade, pois é assim que Deus faz conosco, e Ele só deseja a nossa felicidade. “Cristo já mostrou como amou a Igreja, dando a vida por ela” (cf. Ef 5,25), e deseja que os namorados e casados aprendam a viver essa dinâmica e mistério, se assim queremos ser felizes. Só o altruísmo nos faz, de fato, transparentes, porque revela o que realmente está dentro de nós: a força e o sentido do amor de Deus, consequentemente, o sentido de quem sou eu e quem é o outro para mim.

Antonio Marcos

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