2010-12-08

No dogma da Imaculada Conceição de Maria, o sonho original de Deus para nós!


O dogma da Imaculada Conceição não é um privilégio por merecimento antes de nascer, mas uma graça concedida a Maria pela benevolente vontade e livre escolha de Deus, mediante a superabundância dos méritos de Cristo no exato momento de sua concepção, fruto do amor entre São Joaquim e Santa Ana.
A Teologia fala da redenção de Maria por  antecipação porque é ela predestinada para ser a Mãe do Filho de Deus. No entanto, quando Maria toma conhecimento na anunciação de que o favor de Deus está com ela e que é chamada a ser a Mãe do Seu Filho, em nenhum momento Maria é violentada na sua vontade, mas aceita de fé livre e inteira obediência o chamado de Deus. Poderíamos dizer que o fato de Maria ser imaculada, ou seja, preservada das consequências do pecado original cometido por Adão e Eva, em nada diminui sua liberdade, mas a potencializa. É isso o que a santidade realiza em nós: torna-nos disponíveis para a vontade de Deus e, ainda que não compreendamos a profundidade e a largueza do Seu desígnio, não titubeamos em responder “Sim”, envia-me, Senhor!
É o Concílio Vaticano II (LG 52-69) que nos ilumina nessa fantástica compreensão do mistério da conceição imaculada de Maria. É consolador para nós entender que Maria, embora sem pecado, foi “peregrina na fé”, ou seja, ela avançou no caminho da fé como sinal de que as coisas não lhe foram sempre tão claras, mas exigiram dela passos, decisões, oração, confiança, silêncio e a capacidade de esperar contra toda desesperança, o que é dom de Deus, não habilidade humana. “Imaculada é a afirmação da intensidade da ação de Deus na vida de Maria e a correspondência em suas respostas”. Quando encontramos e convivemos com uma pessoa que vai se configurando a Cristo passamos a entender “um pouco” do mistério do que se recebe no Batismo e daquilo que vai gerando frutos de santidade ao longo da existência, na medida em que vamos correspondendo.
Dizer que Maria é Imaculada é reconhecer seu itinerário de perfeita discípula. Membro singular da Igreja, Maria é também “protótipo da Igreja, modelo acabado nela, na fé e na caridade”, ensina-nos maravilhosamente os padres conciliares. O dogma da Imaculada Conceição de Maria aprofunda em nós o sonho original de Deus para toda a humanidade: “Nele nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por Jesus Cristo, conforme o beneplácito de sua vontade. Para louvor e glória da sua graça com a qual ele nos agraciou no Amado” (Ef 1,4-6).
Antonio Marcos   
Imagem: Arte iconográfica da Virgem da Ternura, de Maria Fonseca (Facebook)

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