Expor a verdade cristã com doçura e respeito!

Escrito Por Antonio Marcos na terça-feira, dezembro 07, 2010 Sem Comentários

Ontem eu lia e refletia a Primeira Pregação do Advento, feita pelo Pe. Raniero Cantalamessa, OFM, na Casa Pontifícia e na presença do Santo Padre e da Cúria Romana, última sexta-feira, 03 de dezembro. É uma tradição as pregações na Quaresma e no Advento de cada ano litúrgico, as quais, como sempre, muito esperadas pelos fieis, pelos pensadores católicos, pelos ministros ordenados e até pelos intelectuais não crentes e não católicos. Isso se dá pela riqueza dessas meditações e do quanto elas nos ajudam também pensarmos e a vivermos a fé em nossos dias.

O Pregador do Papa escolhe um tema cada ano e segue sua linha de reflexão nas três pregações. O texto apresenta um pensamento objetivo, com uma linguagem clara, acessível, mas que leva a grandes interrogações porque está conectado e pretende lançar luz aos problemas atuais da humanidade, aos desafios da Igreja, aos desdobramentos da interpretação da Revelação para o homem de hoje como, principalmente, a forma de propor o Evangelho em nossos dias. O texto é enriquecido pela tradição filosófica e pelo patrimônio da fé, fundamentado de forma encantadora na Palavra de Deus e ainda em comunhão com o pensamento do santo padre quanto às questões de fé e razão na sua relação com a cultura moderna.

Neste ano o Pe. Cantalamessa reflete “A resposta cristã ao cientificismo ateu”. As três pregações seguem as temáticas que ele mesmo chama de “nós”, “obstáculos” para que muitos países da antiga tradição cristã se comportem de forma “resistente, imune” à mensagem do Evangelho, no caso, o cientificismo, o secularismo e o racionalismo. Embora admita que, às vezes, é preciso refutar doutrinas falsas, o pregador da Casa Pontifícia chama a nossa atenção quanto ao fato de que “na evangelização, é mais eficaz que a polêmica contra eles, a exposição pacífica da visão cristã, contando com a força inerente desta quando acompanhada de profunda convicção e feita, como incutia São Pedro, ‘com doçura e respeito’” (1 Pe 3, 16).

Não devemos ter medo dos alardes e dos “choques” teóricos e factuais, traduzidos na rejeição do mundo a Deus, mas devemos aproveitar as reações dos “choques” para um reacender da fé e a coragem de propor Jesus Cristo aos homens, principalmente quando muitos insistem em agir como a “coruja diante da águia”, ao afirmar-lhe: "Você mente! Nunca vi o seu sol. Nos movemos muito bem e conseguimos alimento sem ele. Seu sol é uma hipótese inútil, não existe". Quando o cientificismo exclui Deus da razão humana e da história, apenas atesta a sua miopia em enxergar que Deus sempre será a procura fundamental do homem, porque Ele é o sentido da existência e do cosmos. O homem é imagem e semelhança de Deus, obra prima de Suas mãos e por isso, além de não estar entregue ao destino cego, pode contar com a graça nos conquistada por Jesus Cristo, o Verbo encarnado, nosso Salvador e Redentor; Daí que o Natal, Festa da Encarnação, é a antítese mais radical da visão cientificista.

Com o mistério da Redenção Jesus nos concedeu a graça que preencheu a lacuna entre Deus e o homem. E é a graça de Deus, o dom e a força do Espírito Santo que pode nos “santificar, nos divinizar”. Esta é a finalidade da vida cristã, a vida no Espírito de Deus, finalidade acessível e possível a todos os homens. Não tenhamos medo de propor aos outros a verdade, que é a Pessoa de Cristo, embora o cientificismo chame-O de “pobre palha de um acontecimento qualquer a boiar no grande oceano da história”, porém, para surpresa dos ateus e para a salvação dos que creem, nós podemos, sim, fundamentar nossa existência inteira em Jesus cristo. “Sim, é possível, é libertador e alegre. Não por nossas forças, mas pelo dom inestimável da fé recebemos e pela qual damos graças infinitas a Deus.”Antonio Marcos

Leia a Pregação na íntegra: Fonte: Zenit.org - http://www.zenit.org/article-26723?l=portuguese