2010-12-20

É neste Natal que acredito!


Os dias que antecedem o Natal do Senhor, nesta 4ª semana do advento, são para os cristãos dias intensos de preparação e expectativa. Expectativa, sobretudo, do novo que vai atualizar-se pelo mistério da graça, ou seja, o nascimento do Menino-Deus. Como parte e fruto dessa alegria maior estão os eventos humanos, as celebrações e os gestos constitutivos também do espírito natalino, especialmente a fraternidade e solidariedade.
Pode ser que neste tempo o que lemos sobre o natal nos sobrecarregue pela forte ênfase em apresentar apenas o seu lado negativo, ou seja, a beleza dos adornos e a ausência de sentido de vida, o consumismo e até uma superficial manifestação da solidariedade. Fala-se que esse espírito solidário na maioria das pessoas é apenas uma máscara do momento. Passado o tempo do Natal voltamos para os nossos casulos e práticas egoístas. Há uma parcela significativa de verdade nesta visão, mas há também que considerar que, graças a Deus, não é a parcela maior.
O Natal não revela apenas as máscaras pessoais e coletivas, seria uma visão pessimista demais. O Natal põe em evidência, testemunha aos olhos, ao coração e à consciência humana o que acontece dentro de muitas pessoas durante todo o ano, mas que, devido estarmos tão acostumados com a promoção do que é ruim e a observar demais as fraquezas nossas e dos outros, acabamos nos distraindo e não percebemos os que praticam o bem e vivem o Natal de cada dia, que vivem um “processo de gestação e nascimento do Menino-Deus”, que portam e exercitam o anúncio de uma “Boa Notícia” e, detalhe, são pessoas tão perto de nós, ou são ações coletivas não distantes. Creio que queremos ser bons, queremos amar, acertar, queremos a paz, o perdão, não obstante nossas fraquezas e pecados. Também perto de nós estão os que não desistem de recomeçar!  
Fascinante e significativas para a nossa reflexão são as palavras do anjo Gabriel a Maria, por ocasião do que Deus lhe pedia: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. Conceberás no teu seio e darás à luz um filho, Jesus”. Diante da pergunta de como se daria, respondeu-lhe o anjo: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra. (...) Para Deus, com efeito, nada é impossível” (cf. Lc 1,26-37). Palavras de alcance e sentido infinitos, de consolo e direção para qualquer realidade humana. É o Espírito Santo o grande artífice desta semana, porque aí onde ele atua acontece o possível diante da impossibilidade. A ação de Deus é capaz de confundir todos os cálculos humanos, as previsões egoístas e desfazer as ciladas do mal.
Faz-se necessário que nós que cremos saibamos externar o que, se supõe, venha sendo processado no coração e na alma durante todo o ano: a vida de Deus, a ação da graça em nós, a esperança renovada e a alegria de termos o que celebrar e anunciar, quer diariamente, quer no tempo do Natal, apesar das nossas trevas. E o que realiza isso em nós é a ação do Espírito Santo. E pergunto: abrir-se a essa ação, manter-se nela e testemunhá-la não seria o nosso milagre, a possibilidade frente às tantas impossibilidades que tentam nos sucumbir? Sim! Eu acredito! Então o Natal deve nos fazer olhar para dentro das pessoas com esperança de que também elas sejam impactadas pelo novo que Deus é capaz de fazer, ainda que estejam distraídas com os adornos e que lhes falte o verdadeiro sentido do Natal. Aliás, o Natal não é a luz que brilha nas trevas? Esta é uma verdade salvífica que faz com que o meu pessimismo dê lugar à fé e à esperança em mim, nos outros e no mundo! É neste Natal que acredito!
Antonio Marcos

Um comentário:

  1. Que artigo belo amigo!Também acredito nesse natal, que "faz com que o meu pessimismo dê lugar à fé e à esperança"
    Na "Expectativa, sobretudo, do novo que vai atualizar-se pelo mistério da graça"


    obrigada pelo artigo.

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