Até mesmo destas pedras...

Escrito Por Antonio Marcos na domingo, dezembro 05, 2010 Sem Comentários

Após meditar o Evangelho deste 2º Dom. do Advento, soou-me ao coração as palavras do profeta João Batista aos fariseus e saduceus: “Produzi frutos que provem a vossa conversão. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’, porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão” (Mt 3,8-9).
Agarrar-se a uma "tradição", ainda que de fé, mas não abri-la ao novo de Deus nas nossas vidas, ou seja, sustentar conceitos e doutrinas, mas não gerar vida nova e salvação em nós e nos outros, é mesmo um grande engano. Em tempos como os nossos, principalmente, não basta repetir regras e doutrinas; não bastam o fazer e o conhecer, o falar e o pregar, o escrever e o ensinar, inclusive quando apresentamos apenas “regras de proibição”, pois, o que Deus quer é a conversão, a parada para entrar em si mesmo e repensar os dias, as atitudes e os propósitos. Deus quer que nossa vida se torne caridade aos outros, respeito por suas histórias, suas dores, suas lágrimas. Todos podem recomeçar diante de Deus e não há preferidos na Sua lógica de salvação, se não os que necessitam de conversão.
“Até mesmo destas pedras”..., é uma expressão intrigante porque explicita o que afirma Isaías: “Ele não julgará pelas aparências que vê, nem decidirá somente por ouvir dizer” (Is 11,3). Penso que até mesmo os frutos devem ser purificados para que não nos percamos, mas eles continuam sendo o termômetro do que se passa dentro de nós, e o que se passa dentro de nós para gerar vida precisa ser, essencialmente, não o estado acabado de quem nunca erra, de quem se sente imaculado, perfeito, medida para os outros, mas alguém que se sente em contínuo estado de retorno, de recomeço, de encontro com a luz. Se Deus pode até mesmo das “pedras” - quando atraiu os pagãos a abraçarem a fé -, tirar filhos de Abraão, também pode das “pedras do nosso coração” tirar frutos de conversão. 
Antonio Marcos