2010-11-18

Você não namora?

 O tema de nossa breve reflexão é bem sugestivo e complexo, mereceria muitas considerações à luz da antropologia teológica e da colaboração das ciências do comportamento, no entanto, limito-me a apenas falar dos aspectos da estranheza “de quem observa” e do constrangimento “para quem é observado” quanto ao fato de se estar sozinho, especialmente quando a idade e a estética exigem uma “comunhão afetiva” ou, pelos menos, um “estar com alguém”.

Os jovens (e não só) não hesitam em confirmar a cobrança e o incômodo dos outros quando não se estar namorando, o que é um desejo natural, constitutivo de nossa natureza afetivo-relacional, de nossa vocação à complementaridade. Essa cobrança decorre, em parte, de nossa agitação cultural, da rapidez e da superficialidade das relações tão comuns em nossos dias, gerando assim tamanha instabilidade. Fala-se que melhor é estar sozinho, que não vale a pena estar a dois, mas, em contrapartida, “viver ou estar sozinho” causa desconforto em muitos. Na verdade, todos nós queremos partilhar a vida, mas estamos com o medo enorme de sofrer, de nos machucar, de darmos o melhor de nós e sermos desvalorizados, traídos ou surpreendidos por uma personalidade ofuscada inicialmente. Apesar disso, queremos muito ter alguém para amar e sermos amados e escolhidos como parte única e valor no coração do amado. É bom amar e termos a correspondência no amor. Estar sozinho é causa de estranheza para uma grande maioria e isso causa dor porque gera no outro cobrança demasiada e encurtamento do tempo de maturação da espera favorável, que não sufoca e nem nos diminui como pessoas, adolescentes, jovens e adultos.

Ser cobrado por não estar namorando causa constrangimento porque passamos a nos comparar aos outros e podemos ter crise na autoestima, ser violentados pelos tabus e preconceitos masculinos e femininos. Namorar deve ser um processo natural como fruto de um encontro e do mínimo de convivência, melhor seria que fosse fruto de uma amizade, de um tempo de identificação um com outro, para não ser motivado unicamente pelo estético. A cobrança a quem não estar namorando é constrangedora porque pode gerar a pressa nas relações e não vivermos bem a sadia tensão da amizade, ou seja, aquela percepção  tranqüila, sinalizadora que aquela pessoa não desperta em nós a atração para o namoro, deixando assim perceptível, o que é óbvio, que nem toda amizade significa que deva terminar em namoro. Porém, a pressa por causa do ceder às cobranças pode nos prejudicar, ferir nossas relações e machucarmos os outros e a nós mesmos.

Estar sozinho não é desumano, caretice, ser deixado para “titia”. Estar sozinho, evidentemente, pode ser fruto de limitações nossas como o medo, a falta de convivência e relações fraternas, as feridas não cicatrizadas de decepções e frustrações, no entanto, podemos não estar sob essas sombras e termos que viver o tempo necessário de se estar sozinho para, num primeiro momento, cuidarmos de algum objetivo pessoal ou simplesmente porque compreendemos que o namoro se dará num processo natural, no tempo certo e de acordo com nossos propósitos de vida, nossos valores e também nossa fé. Pois bem, você não namora? Saiba responder a si mesmo a partir dos seus valores e não pela pressão de uma mentalidade errônea acerca do namoro.

Antonio Marcos

2 comentários:

  1. Gostei.. muitas vezes sou cobrada por que estou solteira.. dai quando começo a me interessar por alguem muitas as vezes a pessoa desiste quando ve que tenho valores de castidade; valores diferente desse mundo então estou sozinha esperando o momento de Deus...
    Eu sofro sim as vezes me desespero mais to procurando na oração forças para essa espera
    =)

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  2. Olá Daiana, Shalom!
    primeiramente agradeço pela sua visita ao Blog e tornar-se participante, colaboradora. Sim, não são poucas as pessoas que sofrem por essa espera, especialmente porque não quere, comprometer seu valores. Chega até a ser "um tipo de martírio", mas isso vale a pena quando temos a Cristo como nosso Bem Maior. Acreditar e desejar viver a castidade no namoro não deve nos deixar "infeiores ou deixados para trás", pelo contrário, que isso sinalize aos outros que é possível ainda viver um namoro como Deus quer. Não precisamos fazer o que a maioria faz para sermos felizes. Acreditamos que nossos sonhos, nosso "José ou Maria" está no coração de Deus e quer nos dar. A juventude é um processo, uma vocação e nela começa também o maravilhoso encontro com o desígnio de Deus. Sim, continue esperando sem deixar de viver a alegria da idade, seja ela qual for. Abraços! Obrigado!

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