2010-11-24

Um Bento XVI que emana luz


Discute-se em todo o mundo o alcance positivo das declarações do santo padre, Bento XVI, na entrevista-livro do jornalista alemão Peter Seewald, acerca de temas importantes que são hoje refletidos amplamente pela teologia e pelo debate público, especialmente no tocante à sexualidade. No entanto, o livro não pode ser reduzido unicamente “a uma frase do papa”, disse Dom Fisichella (Presidente do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização). É bastante louvável e inovadora a posição favorável e coerente do Santo Padre em reconhecer o uso da camisinha em “alguns casos justificáveis” (no caso das prostitutas e prostitutos), como um primeiro passo de responsabilidade para se obter de novo a consciência do errado e do permitido, minimizando as infecções, mas nunca como modo verdadeiro para se solucionar o flagelo do HIV. O que o papa pensa da sexualidade é o que pensa a Tradição Eclesial e o Magistério, ou seja, que ela é orientada para o amor conjugal e que fora disso terá sempre seu caráter de iliceidade.

O autor do livro lamentou a repercussão com uma interpretação limitada dos jornalistas em relação à declaração do pontífice, pois é preciso se olhar para o livro todo e perceber que ali está o coração do papa, do qual emana luz para esses tempos tão conflituosos. As equívocas interpretações de que o Vaticano havia liberado o uso da camisinha demonstrou “a crise do jornalismo”, como disse tão bem e preocupadamente Peter Seewald, por terem os profissionais da área de jornalismo enfocado unicamente a fixação da camisinha, quando o papa trata no todo da humanização da sexualidade.

No entanto, seguindo a linha de pensamento de Dom Fisichella, o livro revela muito do coração de Bento XVI e da sua preocupação com os dramas históricos da modernidade. Ele concedeu corajosamente e até de forma não esperada, uma resposta que era necessária “inserir na Igreja”. Bento XVI faz desmoronar a imagem do “homem obscurantista e inimigo da modernidade” que se fez dele. O mais belo e profético é que o papa, em ocasião alguma, fez declaração contrária ao que pensa o Evangelho acerca do valor da pessoa humana. Há de reconhecer que as suas respostas no livro “Luz do Mundo”, iluminarão muitas consciências, especialmente de orientadores da Moral Católica. O que estamos vendo continuamente é o papa Bento XVI, fiel a Cristo e à Igreja, surpreender o mundo com a força com que deixa emanar a luz de seu pontificado por causa da preocupação da Igreja com o Homem. Deus o conserve entre nós por muitos anos! Rezemos por ele!

Antonio Marcos

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