A paz queremos com fervor, a guerra só nos causa dor!

Escrito Por Antonio Marcos na sexta-feira, novembro 26, 2010 Sem Comentários

O que está acontecendo no Rio de Janeiro é bastante preocupante para uma parcela significativa da sociedade brasileira, especialmente para os moradores daquelas comunidades. Algumas perguntas nos surgem de uma reflexão inevitável: por que as decisões de estratégias políticas e militares no combate ao crime organizado são tomadas quase que somente em situações de extrema tensão e conflito?
As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) começaram a ser implantadas nas comunidades do Rio de Janeiro exatamente em “lugares estratégicos” na influência do tráfico, mas não nos lugares mais importantes e necessários. Discute-se que essas UPPs tenham sido fachadas para uma promoção política do Governador Sérgio Cabral e que por trás existiria não a intenção primeira de desarticular o crime organizado, mas de dar proteção ao turista, favorecendo assim a economia e a imagem do Governo do Rio numa falsa sensação de segurança, uma resposta para o mundo e para os organizadores dos eventos esportistas vindouros. Portanto, não se tratava de uma preocupação primeira com o cidadão daquelas comunidades, escravos do crime organizado, o que é chocante.
Particularmente não julgo as razões da situação, mas julgo que se encontra caótica. A imprensa brasileira faz sensacionalismo e um papel ridículo por somar elogios às operações e ao Governo, mas, pergunto-me: e a população, o que pensa disso? O que diria acerca do que vive cotidianamente dentro das comunidades, convivendo com a submissão absoluta do crime organizado e dentro de um Estado Democrático? Um amplo debate deveria ter sido aberto pela imprensa sobre a questão política e o que decorre dela: a superlotação dos presídios, a força de atuação dos chefes das facções criminosas quando continuam dando ordens de dentro do presídio, a corrupção dos recursos públicos que são destinados à segurança dos Estados, a omissão dos “Poderes” etc.
Esperamos que as ações de combate ao crime organizado não sejam fachadas, não sejam decorrente simplesmente dos conflitos inesperados, mas sejam consequências de políticas públicas de segurança e cidadania, favorecendo assim a liberdade e o direito à vida do cidadão que mora naquelas comunidades, as famílias, especialmente as crianças. No dia 1º de janeiro tudo recomeça e outra vez se renova a esperança neste Brasil., esperança de que as omissões políticas cessem pelo bem comum. “A paz queremos com fervor, a guerra só nos causa dor!”
Antonio Marcos