2010-11-20

Maria, relação de amor que abraça o pecador!


Hoje é mais latente a necessidade da humanidade pela ternura, pelo afeto e proteção. Estamos, de certa forma, órfãos de uma maternidade biológica e espiritual, não obstante termos em casa uma mãe, uma mulher geradora ou os nossos progenitores, papai e mamãe. Falta-nos a convivência e, consequentemente, a intimidade. O colo de mãe, o afeto, o perdão, seus conselhos, sua repreensão, suas lágrimas e suas preocupações por nós, as angústias no seu coração quando tudo não anda bem com o filho, ah, falta aquele olhar de quem nunca desiste de nós e recomeça sempre, mesmo depois dos piores fracassos. Mãe é mesmo uma escola de vida, uma porta para o céu, uma relação única e uma pessoa insubstituível.
Não são poucos os atentados à dignidade da mulher e à maternidade humana, como também tudo hoje concorre para destruir junto com ela a relação da mulher com o divino, deixando-a atarefada demais com os negócios, preocupada demais com a estética e os adornos. Rejuvenescer para não ficar sozinha é um axioma angustiante, porém, sem consistência! Tudo pode ser sacrificado, inclusive a fé. Daí que nossas crianças estão em lares carentes de espiritualidade, de referenciais, daquela presença materna que ensina a rezar e a chamar Deus de papai e Maria de Mamãe do céu. As crianças tinham orgulho de dizer: “Eu sei rezar porque mamãe me ensinou!” Agora elas mesmas perguntam: “Mamãe, por que a senhora não reza?” Sim, Nossa Senhora no lar, a presença materna da mãezinha do céu não é superstição, amuleto, piedade vazia, mas é relação de amor que “abraça o pecador”, como diz a canção. “A Ela somos chamados a nos unirmos no amor, para que sejamos apoiados na sua proteção materna, e assim nos unirmos mais intimamente a Jesus, Mediador e Salvador” (cf. Lumen Gentium, 62).
Lendo nesses dias o psicanalista Carl Jung (1875-1961), encontrei uma afirmação acerca de Maria e que me chamou muito a atenção: “Maria é o arquétipo da dimensão feminina contemplativa que existe em todo ser humano. Tal dimensão é curativa de conflitos entre o inconsciente e o consciente”. Intrigante não é? Pois bem, é uma visão da psicanálise e parece que Jung queria dizer que “o culto à Maria tem certa propriedade psicoterapeuta”. O que quero dizer, à luz da fé e da espiritualidade católica, é que a ausência da relação com Nossa Senhora em nossos lares é de um prejuízo incalculável para a relação das crianças, dos adolescentes e dos jovens com Deus. E aqui poderíamos falar do que eles aprendem acerca da castidade, da relação com as mulheres, da ternura, da piedade, da maternidade, do testemunho da oração e do amor a Jesus quando Maria é na vida dos pais e do lar uma presença viva e íntima de uma maternidade espiritual. Mãezinha, sede solícita para com nossas súplicas, não nos deixe sozinhos, ainda que nossos lares desconheçam a tua ternura. Que o coração de nossas crianças continue atraindo o teu amor e tua proteção a todos nós. Vem, abraça-nos Mãezinha, e leva-nos a Jesus, a fonte de toda misericórdia, o segredo da Tua vida!
Antonio Marcos

Imagem:
Ícone da Virgem Porta do Céu, Amigos do Shalom de Manaus.
                                                                                                

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