Insisto em voltar-me para o nascente

Escrito Por Antonio Marcos na segunda-feira, novembro 29, 2010 2 comments
Eu também não saberia dizer o que nos leva além das palavras e mesmo dos gestos para que alguém se torne tão vivo dentro de nós, tão presente, tão construtivo. Nem mesmo poeta eu sou para traduzir essa dádiva divina e esse mistério. Quisera Deus eu tivesse um pouquinho do talento de Homero, de Dante, de Dostoiévski, de Drummond ou, quem sabe, das linhas sapienciais dos Escritos Divinos. Não sei ainda dizer como se deve amar, mas sei que há pessoas que na simplicidade e na beleza do que são por dentro, ensinam-nos a amar, a acreditar outra vez na vida, nos sonhos, na arte de recomeçar olhando para as surpresas e ternuras de Deus, pois estas nunca se esgotam, renovam-se cada dia (cf. Lm 3,21-23). Talvez esta seja a única coisa que me é sabedoria: o processo contínuo de reaprender a amar, não nos livros, não nas letras e canções, mas nas páginas da vida de algumas pessoas que já existem aqui dentro e que me ajudam a sair do meu casulo. As lágrimas de ontem, agora eu sei, foram necessárias, mas hoje eu posso até ficar triste, mas insisto em voltar-me para o nascente, para a busca do estado interior de alegria porque esta, a verdadeira alegria, vem de Deus. Hoje, exatamente hoje, o sol nascerá outra vez! É Advento, é tempo de renovar a esperança em Deus, em mim mesmo e nos outros. Obrigado meu Deus!

Antonio Marcos