2010-11-28

A glória de Deus unida à nossa fragilidade, só o amor explica!

A chegada do Tempo Litúrgico do Advento na Vida da Igreja é sempre uma grande alegria por ser uma privilegiada ocasião, através da qual, podemos meditar e nos deixar transformar pela vida de Deus entre nós (Encarnação do Verbo) e da esperança cristã na vida definitiva, o voltar-se para a certeza de que o céu é o nosso lugar (Parusia). Assim reza a Igreja no Prefácio do 1º Domingo do Advento (Ano C): “Revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos”. 
Bem sabemos que a nossa vida de comunhão eucarística é já uma vivência na participação da vida definitiva. Quem comunga o Corpo e o Sangue do Senhor não pode viver o Natal e a esperança da vinda última de Jesus de qualquer forma. O imperativo do apóstolo Paulo nos acompanha com estímulo e esteio: “Fazei progressos ainda maiores!” (1Ts 4,1). Não obstante as contrariedades, dores e lágrimas da existência humana, de tudo aquilo que já acontece e que “deve acontecer”, a oração e a vigilância nos põem de pé diante do Senhor, jamais deixam que nos desfaçamos da esperança e da fé (cf. Lc 21,36). 
No Advento a figura de Nossa Senhora, Virgem Orante (Virgem grávida) toma um significado ímpar. Desejemos que ela nos ensine a também permitirmos que o Espírito Santo gere Jesus dentro de nós. Maria deve estar sempre na vida do cristão porque, como criatura humana, ninguém pode nos ensinar a viver tão bem a esperança como ela. A cor roxa da liturgia nos ajuda a viver uma penitência de espera contra toda desesperança. A simbologia deste tempo é belíssima e cheia de significado, inclusive as velas, as orações da Igreja, a coroa do Advento, a escada de Jacó, as antífonas, a Liturgia das Horas, enfim, tudo deve nos remeter ao sentido maior: Deus não desistiu de seus filhos, continua amando o mundo e nos reservando a felicidade definitiva junto d'Ele. Esta felicidade começa aqui quando o coração do homem acolhe o Seu Filho e Salvador, Jesus Cristo. Caminhemos até o Natal do Senhor na esperança de celebrarmos com gratidão aquilo que já é realidade em nós pela fé: “Como pode ser um Deus tão grande como Tu vir nos visitar? Tu não olhaste a nossa condição, mas por amor, só por amor, estás aqui, Senhor!” Sim, por amor e só o amor explica a glória de Deus unida à nossa fragilidade. Feliz Tempo do Advento para todos nós!   
Marcos de Aquino


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