ENEM: “inúteu! A gente somos inúteu?”

Escrito Por Antonio Marcos na quarta-feira, novembro 10, 2010 Sem Comentários

Estando ontem a ver o Jornal Nacional, fiquei pensando a que ponto tem chegado a sedução e a organização da corrupção no Brasil, exatamente quando a notícia falava da máfia da propina por servidores da Receita Federal, facilitada por agentes federais nos aeroportos, facilitando a entrada de materiais importados da China. Depois, uma outra notícia de corrupção por funcionários públicos da Previdência Social, o que corresponde a milhões de reais desviados dos cofres públicos, dinheiro do contribuinte. Pensando nisso logo lembrei da canção “Brasil”, interpretada pelo Kid Abelha, na qual está claro a estranheza de não “ser subornado nesse país”: “Não me convidaram pra essa festa pobre que os homens armaram pra me convencer a pagar sem ver toda essa droga que já vem malhada antes de eu nascer, não me elegeram a garota do fantástico, não me subornaram, será que é meu fim”.

Quanto ao ENEM, fala-se do desgaste psicológico sofrido pelos alunos que cursaram o exame e foram surpreendidos pela possibilidade de ser o mesmo cancelado, partindo do judiciário de Fortaleza que fez a acusação quanto às irregularidades na impressão. Tudo bem, houve sim um desgaste e outros prejuízos. No entanto, ao meu modo de ver, além disso, observamos a crescente falta de credibilidade nas nossas Instituições porque o país cresce e não cresce a responsabilidade das mesmas em lhe dar com as pessoas. De qualquer forma, é louvável o fato de que estamos mais conscientes de nossos direitos e deveres, pelo menos é o que penso. Ou será que no final de tudo só nos resta mesmo o que as Instituições decidem por nós, por mais que sejam legítimas?

Os jovens alunos, de alguma forma, devem crescer com essas frustrações, no entanto, devem exigir respeito e responsabilidade. Imagina-se o tempo de preparação, os custos, o aspecto psicológico e a mobilização de um país inteiro para fazer o ENEM, e, de repente, tudo sai errado por falta de competência. Será mesmo que os jovens alunos do ENEM terão que cantar essa decepção com o Ultraje a Rigor (“de feliz memória”): “Inúteu, a gente somos inúteu!” Então, que o Governo Federal, através de suas Instituições legítimas respeite o aluno brasileiro e tome as providências para que isso não se repita por tais motivos. Candidatos selecionados e recompensados pelos seus esforços, é o que desejamos! Não, “não somos” inúteis!

Antonio Marcos