2010-10-15

Santa Teresa: uma das mais importantes mulheres de Deus!

O contexto
Também o tempo de Teresa de Ávila (1515-1582) era de secularização ou o começo dele. Os grandes cataclismos históricos e religiosos influenciavam as consciências e interferiam nos interesses e nos ideais, tais como: o Heliocentrismo, o Cisma Luterano, o Calvinismo, o Anglicanismo e o Concílio de Trento. O “alegorismo teológico” escondia o verdadeiro rosto de Cristo, por isso não se olhava mais para dentro de si mesmo, mas para as euforias e honras. “Por meio de Teresa, a Igreja aprendeu uma vez mais que Cristo era uma realidade viva, esse Cristo que os discípulos viram na estrada de Emaús, que Saulo de Tarso encontrara no caminho de Damasco, o Cristo em quem a fé da Igreja tinha começado, em cujo espírito fora ele renovado por São Francisco de Assis”, diz René Fülöp-Miller (cf. Obra: Os Santos que abalaram o mundo).
Relacionamentos
Teresa de Cepeda foi protegida pelo pai quanto aos perigos dos relacionamentos frívolos do seu contexto, especialmente porque a mulher não era valorizada. O afastamento das paixões, a reclusão no colégio religioso, o ideal da santidade e, ao mesmo tempo o coração no mundo, fizeram dela uma mulher medíocre. Isso posteriormente vai influenciar sua vida como religiosa. No entanto, a sua própria condição de vida incoerente a interpelará às mudanças. Teresa queria o céu e queria o mundo, eis o drama tão comum também na vivência da fé na contemporaneidade.
O desejo de conversão
Passados anos dentro do Convento da Encarnação e em meio a mediocridade de vida, Teresa traz consigo o desejo da conversão e esse dia, chamado também de “iluminação”, tornou-se possível. A providência divina reservara à Teresa a oportunidade para uma vida nova, não no êxtase inicialmente, mas na sua vida cotidiana, no ofício das suas obrigações religiosas e exatamente no seu mesmo ambiente. A graça de Deus está no mistério da vida comunitária, na família, no trabalho, nas relações, o que falta é a nossa abertura de coração para a sua ação.
O sofrimento
Teresa conheceu profundamente o sofrimento, mas não desistiu de se interrogar acerca do que estava por trás da dor e da debilidade. Sua personalidade sempre foi admirável: espontânea, inteligente, criativa, afetuosa, persuasiva e bela. Tinha sede da verdade embora não soubesse dar nome à sua necessidade. Grande proveito foram as suas leituras espirituais sobre a vida dos Santos, proporcionadas pelo tio.  Não obstante os exageros da literatura de São Jerônimo quanto às exortações e aos perigos da condenação ao inferno, Teresa foi aos poucos sendo alcançada pela graça divina. Deus tem tantas vezes o seu modo surpreendente e inimaginável quando quer revelar seu desígnio para os seus filhos. “Tudo faz concorrer para o bem dos que o amam” e o procuram, ainda que não tenham consciência! 
O grande dia
Na vida de Teresa de Ávila grande significado teve aquele quadro com a imagem do “Salvador, coroado de espinhos”, em uma das colunas do claustro. Na verdade, fez toda a diferença! Ao colocar-se de joelho aos pés desta imagem, com abundantes lágrimas de contrição por ação da graça de Deus após contemplar as chagas do flagelado, Teresa fez a experiência de ser amada tão gratuitamente e não corresponder a esse amor. Ela constatou que só devolvia ao Senhor a ingratidão e ainda exigia dele a felicidade, o céu, isto a tornava suja, pensava ela. Começou ali uma vida nova! Ela foi amada e compreendeu que tudo é graça de Deus, nada é mérito nosso.  A renúncia ao mundo e a si mesma não seria mais uma luta da carne, mas uma ação da graça, fomentada na vida de oração, na profunda amizade com Deus. Esta mulher se apaixonou por Jesus Cristo de tal forma que ninguém arrancou mais dela o coração inflamado de amor.
A oração como caminho de amizade
Seu conceito de amizade para a oração nasce exatamente da sabedoria de não querer mais caminhar sozinha, Cristo é o sentido da sua oferta de vida. Os confessores santos eram admirados por Teresa e a amizade com João da Cruz (o amigo “senequinha”) forjou nela essa compreensão da amizade. No entanto, para Teresa, a amizade com Deus é o âmago da vida. Ninguém fez uma teologia da oração como relacionamento de amizade com Deus tão bela como Teresa de Ávila. De forma extraordinária e como fruto do seu próprio caminho de oração com Deus, falou de um “castelo interior”, por sua vez luminoso: “é a vida espiritual de alguém em cujo íntimo habita a Santíssima Trindade”, diz Cardeal Van Thuan.
No processo de conversão à vida nova, Teresa viveu angústias, desertos espirituais, mas relutava a perder a confiança, mesmo quando sentia “a alma, o poço, tantas vezes seco, mas compreendia pela fé que Deus permitia para fazer crescer nela as virtudes” (cf. LV 11,10). Quando sofria a perseguição e calúnias, inclusive a destruição dos seus escritos, Teresa mergulhou na oração e escutou o Senhor lhe dizer: “Não chores por seus livros e perdas, filha, tornar-te-ei um livro vivo!” Na sua compreensão, isso foi fundamental e decisivo quanto à percepção do cuidado do Senhor.
A missão por amor
Teresa de Ávila amou o Senhor, a Igreja, suas filhas espirituais e os homens de forma bela e madura, sempre comprometida com a Verdade. O amor a Jesus Cristo para tudo o que empreendeu pela causa do Evangelho se tornou a sua motivação essencial e não mais o medo do inferno. Teresa foi não somente madre, escritora e fundadora, mas também reformadora dos Carmelos femininos, trazendo assim para a Igreja um tempo de intensa renovação e promoção vocacional, santidade de vida e desejo ardente de evangelização. Doutora da Igreja, Santa Teresa é uma das mais importantes mulheres que a graça de Deus já presenteou ao mundo. Lembramos neste dia, de forma especial, das filhas carmelitas e de todas as Comunidades e Paróquias que tem esta santa como padroeira, baluarte. Um dia de Festa para a Comunidade Católica Shalom! Portanto, Santa Teresa de Ávila, rogai por nós!
Antonio Marcos

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