2010-10-13

O inferno é o outro!


O que nos acontece será mesmo a tentativa de “imposição de uma demoniocracia partidária?" São óbvias as posturas do PT contraditórias a muitos princípios evangélicos, eclesiais e éticos, sem dúvida, mas tenho ficado muito preocupado por ver que a nossa capacidade de dialogar e conscientizar as pessoas tenha gerado muito mais "fundamentalismo religioso", do que formação das consciências, vomitando acusações e condenações, por sua vez, incompatíveis com os princípios da fé católica.
O mais trágico é que todo o arsenal de informações veiculadas na internet logo é “canonizado” e defendido a qualquer custo, inclusive a difamação, a incitação à revolução e, o pior, a “satanização do outro”. Como não se lembrar de Paul Sartre por sua máxima filosófica: “o inferno é o outro!”. E nós, os cristãos, gostamos tanto de satanizar os outros! Não estou aqui defendendo o PT, não seria tão ingênuo e “desinformado” de sua política abortista, mas confesso que alguma coisa está equivocada em relação ao comportamento dos católicos. Parece que a tentação de ser visto na web como o “profeta corajoso”, “o mártir”, apalpando a fama por ser visto por milhares de pessoas, aplaudido por uns e condenados por outro, está mesmo em moda.  
Quando olho para o papa Bento XVI, nos seus esforços para dialogar com o Islamismo, o mundo científico, os radicais do liberalismo ateu predominante nas nações capitalistas e que ridicularizam a Igreja toda hora e até perseguem o papa, o esforço para dialogar com os cristãos europeus que fazem diariamente o sinal da cruz e são a favor do aborto, do casamento gay, da cultura eugênica, de uma riqueza concentrada nas mãos de poucos e da extração das energias ecológicas, é completamente diferente do que estou vendo no Brasil. E a desculpa não á falar da Ação Católica (na Itália) incentivada pelo papa Pio XII a se organizarem para “denunciar, não satanizar” os que pensam diferente, não esquecendo ainda que os contextos são diferenciados. As posturas do papa Bento XVI estão dentro de um contexto mais dramático do que aquele.   
As notas oficiais da CNBB são completamente diferentes do que se vê na mídia, conteúdo propagado por grupos que incitam a revolta e acenam a bandeira da "satanização de um partido político". Ao mesmo tempo, pouco se sabe das influências de outros partidos na tentativa de usar a Igreja como escudo político. Não foi isto o que aconteceu com a Teologia da Libertação e a "esquerda política" comprometida não com os valores da fé, mas com os seus interesses? Quando a TL se perdeu, quando ficou sozinha com seu radicalismo religioso e a “satanização de Roma, da hierarquia da Igreja e do Magistério”, quem a defendeu, a esquerda política? Não, ela não tinha tempo para se importar com isso, o que interessava era o poder
A defesa da fé dos mais simples, a promoção da Vida, a condenação do aborto se dá mediante o diálogo a partir da “Razão Criadora” e de todos os mecanismos éticos, segundo pensa Bento XVI, propondo o Evangelho e, é óbvio, através da nossa colaboração no processo político.  Denunciar a mentira não tem nada a ver com hostilização e satanização a “uma pessoa ou grupo de pessoas”, por mais contraditórios que sejam nos seus princípios, membros de um país laico, porém, evidentemente, com raízes e expressão significativa de uma identidade cristão-católica.
Olhemos a forma como o Papa está tratando os perseguidores da Igreja: pedindo que a justiça cuide dos pedófilos, condenando a prática e o pecado, “não satanizando a pessoa e sua história de vida”. Desconfio que esse clima de "revolta midiática", fazendo do importante tema do aborto uma manobra política, seja mesmo um precipício para a própria Igreja. Espero ver de que forma nos comportaremos quando os grandes empresários concentrados em SP, donos de laboratórios, das redes de clínicas e da potente indústria favorável à aprovação do aborto, decidirem ir atrás de seus interesses pelo caminho mais curto, talvez o mais provável, as negociações em bastidores com o Governo de SP e o Presidente da República, "melhor ainda" se for do PSDB!
Penso que no contexto no qual nos encontramos, a filosofia do PSDB é menos nociva do que a do PT, mas, como pessoa, sinceramente, entre Dilma e Serra, é incomparável que a pessoa da Dilma mereceria o governo pela competência do mesmo nos oito anos passados, mas, como ninguém governa sozinho e sem influências e ideologias partidárias, desta vez, tenho consciência de que meu voto será para o candidato Serra, não agora “o anjo da vez” juntamente com seu partido de contabilizáveis atrasos para a nação brasileira, inclusive, de uma política de privatização injusta e também abortista, basta fazer uso da memória histórica referente à propagação em massa das camisinhas nas escolas de SP e pela implantação da Pílula do Dia Seguinte. Mas, paciência, o inferno é sempre o outro!
Antonio Marcos

3 comentários:

  1. Parabéns pelo texto. Não concordo com o tratamento dado aos católicos sobre as eleições. Apoiar Serra como um canditato ideal é perigoso, porque, se eleito, e ele vier, de alguma forma, contrariar valores cristãos como ficará aqueles que o apoiaram.

    Parabéns pela explanação centrada e expondo argumentos consistentes para elucidar dúvidas sobre os condidatos nestas eleições.

    fabianoaqueiroz.net

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  2. Ótimo artigo, muito pertinente neste tempo em que vivemos. Conscientização é a palavra chave, mas isso é mais trabalhoso, o mais fácil é apontar o dedo. Hoje é tempo de semear, todos estamos no campo espalhando nossas sementes, amanhã a ceifa chegará: colheremos o que plantamos.

    Abraço!

    @RdxP

    http://filhodaigreja.blogspot.com

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  3. Parabéns, eu realmente não tinha visto uma postagem tão coerente e tão sensata, que nos leva a refletir quanto as nossas posturas de verdadeiros cristãos católicos, nos levando ao referencial do PAPA BENTO XVI, gostaria realmente de agradecer, pois foi extremamente esclarecedor e questionador pra mim, para esse tempo que estamos vivendo.
    Shalom.
    Patrícia Nogueira

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