2010-10-14

Fiquemos juntos


Durante as horas em que acontecia o resgate dos 33 mineiros, no Chile, depois de quase 70 dias confinados na Mina São José a aproximadamente 700 metros de profundidade, um psicólogo deu uma entrevista numa rede brasileira de TV fechada e relatou um fato que me chamou muito a atenção. Dizia ele que nos cinco primeiros dias pós o desmoronamento em que bloqueou o acesso de saída, os mineiros ficaram em estado de choque e alguns tiveram crises emocionais fortíssimas. Um pequeno grupo tentou se rebelar, pois pretendia se separar dos outros e buscar uma saída com as próprias forças. Estavam, na verdade, no limite do desespero pelo medo da morte. Foi quando o líder do grupo, auxiliado por outros, transmitiu segurança, esperança, provocando neles uma reflexão: “Se nós nos dividirmos agora não iremos a lugar algum e será o fim! Fiquemos juntos e juntemos nossas forças na esperança de que encontraremos uma solução”.
Como é importante permanecer juntos quando nos chega o tempo da adversidade, e isso vale para todas as dimensões da  existência humana, especialmente para a vida cristã. Quem não se lembra de já ter visto nos filmes relacionados à história da Igreja, a forma como morriam os mártires quando entravam na arena do Coliseu para serem devorados pelos leões famintos ou cortados em pedaços pelas lâminas dos carros de combate? Eles entravam cantando Salmos e permaneciam juntos e morriam juntos. Alguns historiadores ainda falam do “ósculo santo”, ou seja, cumprimentavam-se com um beijo na fronte minutos antes de serem devorados. Nós, os cristãos católicos, precisamos muito redescobrir essa unidade, especialmente quando temos de enfrentar os Coliseus Modernos: uma sociedade que se afasta bruscamente dos valores da fé e acaba vendo a Igreja e o seu modo de pensar como um empecilho que deve ser banido a qualquer custo. “A Lei Suprema da Igreja é a salvação das almas!” (Cânon, 1752).
Permanecer juntos não significa ser coagido a pensar de maneira uniforme, isso tolhe a liberdade de expressão, mas significa, sobretudo, que não podemos trocar o essencial pela irredutível maneira pessoal e até individualista de ver e julgar o contexto. O Papa Bento XVI chocou a muitos quando disse recentemente numa carta aos Bispos que “o perigo maior da divisão vem de dentro da Igreja”. Devemos sempre nos questionar se “o mestre definitivo de nossa consciência é a fé ou nossas ideias e conceitos”. E esta fé, evidentemente, deve ser a fé da Igreja através da sua comunhão com Cristo e da sua missão de formar e orientar o povo de Deus. Célebre é a afirmação do arcebispo Ratzinger: “o Cristianismo começa não com um revolucionário, mas com um mártir”. Divisões não levam ao martírio, mas sufocam a virtude na vida pública e assassinam a consciência e a fé dos mais simples. Fiquemos juntos, caso contrário, não iremos a lugar algum!
Antonio Marcos

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